Detido narcotraficante britânico implicado em assassinato racista nos anos 1990

Jamie Acourt e o irmão estiveram envolvidos no homicídio de Stephen Lawrence, em Londres, num caso que se converteu num símbolo da luta contra o racismo.

Jamie Acourt foi detido em Barcelona
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Jamie Acourt foi detido em Barcelona LUSA/NCA/HANDOUT

A Polícia Nacional de Espanha deteve na sexta-feira, em Barcelona, um suposto traficante de drogas perigoso, conhecido pelo seu envolvimento num assassinato racista nos anos noventa em Londres.

Jamie Acourt, 41 anos, é acusado de ser o líder de uma organização criminosa de tráfico de cannabis em grande escala, que operou entre Janeiro de 2014 e Fevereiro de 2016. Nessa altura, o suspeito fugiu do Reino Unido. As autoridades suspeitavam, quase desde o início da investigação, que estivesse em Espanha.

Algumas reportagens na comunicação social britânica afirmaram que levou uma vida de luxo em Málaga. A Polícia Nacional seguiu os passos de Acourt em Barcelona durante vários dias. Foi detido quando saía de um conhecido ginásio, no bairro da Sagrada Família, segundo um comunicado de imprensa divulgado pela Agência Nacional de Crimes (National Crime Agency — NCA) do Reino Unido. Nos próximos dias, será transferido para Madrid, onde o tribunal decidirá sobre sua extradição.

A imprensa inglesa fez um acompanhamento exaustivo da fuga de Acourt, sobretudo por causa do seu passado. Acourt esteve envolvido num dos crimes que mais afectou a sociedade britânica nos anos 1990, e que se tornou um símbolo da luta contra o racismo: o assassinato de Stephen Lawrence. A 22 de Abril de 1993, Lawrence, 18 anos, estava à espera do autocarro com um amigo, ambos negros, quando um grupo de jovens se aproximaram deles, lançando insultos racistas. Os dois amigos começaram a correr, mas Lawrence não conseguiu escapar e morreu de uma facada.

A polícia foi muito criticada pela gestão do caso. Inicialmente prenderam cinco jovens, entre eles Jamie Acourt, então com 16 anos, e o seu irmão Neil. Mas, depois de vários meses, a acusação considerou que não havia provas suficientes contra eles. Em 2007, graças aos avanços tecnológicos, foi possível reabrir o caso e condenar duas pessoas, Gary Dobson e David Norris, porque havia traços de sangue e um fio de cabelo nas roupas de Lawrence. Finalmente, em 2012, ambos foram condenados por homicídio a 14 e 15 anos de prisão, recorda o El País.

A má gestão do caso atingiu a Scotland Yard, que foi acusada de procurar provas para desacreditar a família de Lawrence em vez de tentar encontrar os assassinos.

Neil Acourt, irmão do agora detido, esteve envolvido noutro episódio racista em 2001 e passou 18 meses na prisão, acusado de insultar e atirar uma bebida de um carro contra um polícia negro fora de serviço. Coincidindo com o 25.º aniversário do assassinato de Lawrence, a BBC filmou um documentário sobre o seu caso: Stephen: o assassinato que mudou uma nação.