Fencaça receia que parques naturais "sejam os próximos a arder"

Federação Portuguesa de Caça defende a manutenção das zonas de caça nos parques naturais.

A Fencaca (sede na foto) defende que caçadores são vigilantes
Foto
A Fencaca (sede na foto) defende que caçadores são vigilantes Rui Gaudencio

A Federação Portuguesa de Caça (Fencaça) receia que os parques naturais "sejam os próximos a arder" e vai defender, no Encontro Nacional de Caçadores que organiza no domingo em Santarém, a manutenção das zonas de caça nestes espaços.

"A nossa maior preocupação vai neste momento para os parques naturais, que estão cada vez mais abandonados e com as direções a quererem correr com quem ainda faz manutenção. Só não têm ardido graças às zonas de caça", disse à Lusa o presidente da Fencaça.

Jacinto Amaro afirmou que este vai ser um dos temas debatido no encontro que vai reunir no grande auditório do Centro Nacional de Exposições, em Santarém, alguns milhares de caçadores na manhã de domingo, num evento que decorre no âmbito da Expocaça, Feira Nacional da Caça, que abriu hoje ao público.

O presidente da Fencaça apontou o facto "insólito" de o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que tutela os parques naturais, ter que responder a dois Ministérios, o do Ambiente e o da Agricultura, frisando que, se com este "não existe qualquer problema", o mesmo não acontece com o Ambiente.

"Se as zonas de caça saírem, os parques naturais vão arder", afirmou, sublinhando o papel das associações de caçadores, que integram populações residentes e que cuidam do território fazendo sementeiras, desmatação, abertura de clareiras e colocando comedouros e bebedouros.

O seu papel de "vigilantes" estende-se ainda às esperas noturnas que antecedem a caça ao javali (10 dias por mês), com "centenas de caçadores", em mais de 6.000 zonas de caça existentes no país, atentos "na altura do dia em que é mais difícil detetar intrusos", referiu.

Jacinto Amaro lamentou ainda que o sector não tenha sido chamado em nenhum momento da discussão sobre os incêndios florestais, quando muitos caçadores "perderam tudo" nos fogos ocorridos em 2017, juntando à perda de bens todo o trabalho realizado nas zonas de caça e o desaparecimento das peças cinegéticas.

No encontro serão ainda explicadas as implicações da transferência das competências da área de formação para obtenção da Carta de Caçador e de Licenças de Uso e Porte de Arma, respetivamente do ICNF e da PSP, para as organizações do sector, legislação que contou com a colaboração da Fencaça e que entrará em vigor em Janeiro de 2019, disse.

Por outro lado, será feita uma sensibilização junto do Ministério do Ambiente para permitir que parte das "mais de 500 cabras-montês" que recentemente voltaram a povoar zonas do Gerês, vindas de Espanha, depois de terem sido dadas como extintas em Portugal, possam ser levadas para outras zonas montanhosas do país para se multiplicarem.

Frisando que a petição que corre para que esta espécie seja novamente caçável não é da responsabilidade da Fencaça, Jacinto Amaro afirmou que o interesse da federação é "repovoar outras zonas do país".

Além do valor cinegético ("representa o troféu mais valioso na caça ibérica, podendo um macho em fim de idade atingir os 10.000 euros"), a espécie tem também "um papel no controlo da matéria combustível", declarou.

Da agenda do encontro constam ainda questões como as "doenças da caça maior - Javali e Veado" e o projeto "+ Coelho, em execução e que visa obter uma vacina que resolva o problema da doença hemorrágica vírica DHV nas populações de coelho bravo e lebre".