REN quer investir 100 milhões por ano na rede eléctrica até 2021

A REN prevê investir pelo menos 500 milhões de euros até 2021 nas redes energéticas em Portugal, sendo que a grande fatia será canalizada para a expansão e renovação da rede de transporte eléctrico.

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Rodrigo Costa, CEO da REN, apresentou hoje o plano estratégico 2018-2021 Miguel Manso

A REN, empresa liderada por Rodrigo Costa, está a apresentar esta sexta-feira, em Lisboa, o plano estratégico para os próximos anos, antecipando um investimento anual entre os 120 a 145 milhões de euros nas redes de transporte de energia, em Portugal, até 2021.

Nas contas da empresa controlada pela chinesa State Grid, a rede de transporte eléctrico precisará de investimentos de, pelo menos, 90 a 110 milhões por ano. Destes, 40 milhões serão canalizados para a substituição e renovação das infra-estruturas existentes e outros 50 a 70 milhões irão para a expansão da rede. 

No caso do gás, a REN prevê encaminhar dez milhões para a rede de transporte e entre 20 a 25 milhões para a distribuição, ou seja, para o aumento da penetração da rede da Portgás, a empresa comprada em 2017 à EDP. Todos os activos de rede são regulados, o que significa que os investimentos são escrutinados pelo regulador, pois os custos são suportados pelos consumidores através das tarifas de luz e de gás. Depois do parecer da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), quem tem a palavra final sobre eles é o Governo.

O administrador da REN com o pelouro das operações, João Conceição, sublinhou que “o estado de maturidade” das redes de transporte energético tem feito com que o peso dos projectos de substituição se tenha vindo a tornar “cada vez mais importante nos planos de investimento da rede”. 

Nos próximos quatro anos, estes projectos terão um peso entre 35% a 45% nos investimentos na electricidade e de 95% no gás, notou João Conceição. O gestor adiantou que a REN “procura ser razoável” quando define os seus planos, mas admitiu que há margem para que os números sejam revistos em alta, consoante aquilo que vier a ser definido pelo Governo para o sector energético.

Entre os projectos que podem fazer subir as metas de investimento, a empresa exemplificou com o caso da interligação a Marrocos, o reforço do investimento em renováveis (que exigirão novas linhas de ligação à rede) ou o enterramento de linhas em Lisboa e Porto.

Referindo que muitos dos projectos planeados pela REN estão dependentes da evolução da política energética e que “nos últimos anos tem sido cada vez mais difícil obter as autorizações necessárias”, o gestor também considerou que é necessário que as decisões políticas sejam consistentes com o que se espera para o desenvolvimento energético do país. 

“Não faz sentido” que se invista em barragens ou que se espere que o país avance na produção fotovoltaica “se os produtores não tiverem uma linha” para escoar a energia, exemplificou. 

A empresa, que se comprometeu a manter um dividendo de 17,1 cêntimos nos próximos quatro anos, espera ainda que o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) permaneça entre os 475 milhões e 500 milhões de euros por ano e o resultado líquido entre 110 e 115 milhões. 

À espera de decisão sobre a CESE 

Quanto a eventuais aquisições, a REN admite gastar perto de 400 milhões entre 2018 e 2021 – nos três anos anteriores, a empresa investiu quase 800 milhões que incluíram, além da Portgas, a compra de uma participação num gasoduto no Chile e o reforço da capacidade de armazenagem subterrânea de gás. 

“Não faremos nada que não faça sentido para a companhia”, disse o presidente da REN, Rodrigo Costa. Sem adiantar detalhes concretos sobre negócios ou geografias (além de “oportunidades na América Latina”), o gestor sublinhou que quaisquer novos investimentos terão de ser em áreas em que a empresa seja especialista, e em sectores, e com resultados, que sejam estáveis e previsíveis. Os investimentos não têm de ser em activos regulados, desde que tenham associados - como é o caso do gasoduto chileno - contratos de longo prazo, que garantem estabilidade de receitas.

Questionado ainda sobre a taxa extraordinária sobre a energia (a CESE), Rodrigo Costa sublinhou que é um tema “muito complexo” e que a empresa optou por pagar primeiro e só depois ir para tribunal “para não estar em conflito permanente” com as autoridades. A REN paga cerca de 25 milhões de taxa todos os anos, o que equivale a cerca de um quarto do seu resultado.

Dizendo esperar que haja uma decisão judicial dentro de “alguns meses”, o presidente da REN admitiu que continuam “as negociações” com o Governo sobre o tema e que a REN espera conseguir que a CESE acabe, “porque é injusta”. 

“As decisões do Governo sobre isto ainda são uma incógnita”, disse Rodrigo Costa aos analistas e investidores presentes em Lisboa. “Continuamos a dizer-lhes que uma taxa destas não faz sentido para uma empresa como a REN, mas eles têm as suas motivações e precisam do dinheiro”, afirmou. 

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