Administrador demite-se por discordar da entrada no Montepio

Ricardo Gomes tutelava os recursos humanos. Actual provedor, Edmundo Martinho, deverá acumular funções.

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Carta de demissão foi enviada ao ministro Vieira da Silva LUSA/MÁRIO CRUZ

Ricardo Alves Gomes, administrador da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, foi exonerado no início da semana depois de ter pedido para sair, devido a divergências sobre a eventual entrada daquela instituição no capital do Montepio. A notícia é avançada pelo jornal i, que cita a carta enviado ao ministro do Trabalho e da Segurança Social, Vieira da Silva.

O agora ex-administrador explica na carta que os motivos do afastamento se prendem com o dever “de lealdade à instituição”, argumentando “não ser razoável permanecer no exercício de funções sem estar em condições de assegurar votar favoravelmente — e fazer cumprir — algumas das opções estratégicas e operacionais que se colocam à Santa Casa actualmente”.

As funções até aqui desempenhadas por Ricardo Alves Gomes deverão ser acumuladas por Edmundo Martinho, actual provedor e sucessor de Pedro Santana Lopes à frente da instituição.

A demissão surge depois do congelamento da entrada da Santa Casa no capital do Montepio, noticiado pelo Expresso no sábado. “A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa não tem condições para avançar com o investimento no capital do banco do Montepio nos termos que estavam em cima da mesa. Pelo menos para já”, escrevia o semanário, citando uma fonte não identificada da Santa Casa.

Em causa está um investimento de cerca de 18 milhões de euros, que permitiria à Santa Casa da Misericórdia adquirir quase 1% do capital do banco, detido pela Associação Mutualista Montepio Geral, uma linha menos ambiciosa do que a inicialmente assumida, que passaria pela compra de até 10% da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG).

A recomendação de que a entrada da Santa Casa no capital do Montepio não seja aprovada pelo Governo chegou do Parlamento. “A este recuo não é alheio o facto de o Parlamento ter aprovado três propostas de resolução para travar e condicionar o negócio no dia 20 de Abril”, disse a mesma fonte ao jornal Expresso.