Quarta substituição forçada num Governo de May ansioso por estabilidade

Rudd junta-se a outros três ex-ministros de May que abandonaram executivo por envolvimento em escândalos e controvérsias.

Theresa May, primeira-ministra do Reino Unido
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Theresa May, primeira-ministra do Reino Unido POOL / Reuters

Pela quarta vez no espaço de seis meses, Theresa May viu-se obrigada a remodelar o seu executivo por motivos alheios à sua governação, depois de Amber Rudd ter apresentado a demissão do cargo de ministra do Interior e de Sajid Javid ter sido o escolhido para ocupar o seu lugar.

Embora a demissão de Rudd esteja intimamente relacionada com uma estratégia política sobre as migrações – e por isso ligada ao Governo conservador –, é unânime na imprensa britânica que o que a fez cair não foi a política que deu origem ao tratamento abusivo de imigrantes caribenhos da chamada “geração Windrush", foi o facto de ter induzido os deputados em erro sobre o assunto.

A demissão de Amber Rudd soma-se a outras três saídas de cena por razões pouco abonatórias para o n.º 10 de Downing Street, que tanto se tem esforçado por manter a casa arrumada, numa altura em que praticamente todas as suas baterias deveriam estar viradas para Bruxelas e para a intrincada tarefa de retirar o Reino Unido da União Europeia.

Michael Fallon foi o primeiro a cair em desgraça. No início de Novembro do ano passado, o então ministro da Defesa renunciou ao cargo, depois de ver o seu nome envolvido num escândalo de assédio sexual e comportamento inapropriado. Foi substituído por Gavin Williamson.

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Michael Fallon renunciou ao cargo Hannah McKay/REUTERS

Ainda a poeira da controvérsia com Fallon não tinha assentado e já May era obrigada a aceitar novo pedido de demissão. Uma semana depois da queda do ex-ministro da Defesa, a responsável pela pasta da Internacionalização, Priti Patel, pediu igualmente substituição, na sequência das revelações sobre os seus encontros secretos com altos funcionários do Governo israelita – incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu –, quando esteve em Israel em férias familiares e sem autorização de Downing Street.

Penny Mordaunt tomou o lugar de Patel e Theresa May sobreviveu à nuvem negra de escândalos que afectou o seu Governo. Mas por pouco tempo. Em Dezembro caiu o ministro-adjunto – e reconhecido braço-direito da primeira-ministra dentro do executivo. Damian Green foi acusado por uma jornalista de conduta imprópria e apanhado a mentir sobre conteúdos pornográficos descobertos num computador de trabalho.

May não nomeou ninguém para o lugar de Green, mas decidiu surfar a onda de demissões embaraçosas dentro do cabinet britânico para proceder a uma remodelação mais profunda.

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Priti Patel pediu demissão por ter tido encontros secretos com o Governo israelita WILL OLIVER/EPA

Nesse novo jogo das cadeiras dentro do Governo, realizado em Janeiro, foram eliminados James Brokenshire (Irlanda do Norte) – que regressa agora para ocupar o lugar deixado vago por Javid –, Patrick McLoughlin (chancellor do Ducado de Lancaster) e Justine Greening (Educação).

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