“Não vamos banir os carros a gasóleo, vamos torná-los num mau negócio”

Os incentivos à compra de carros eléctricos e o investimento público na rede de carregadores rápidos ditou o sucesso destes automóveis na Noruega. Agora é preciso que os fabricantes respondam com mais carros, “melhores e mais baratos”.

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Hoje há quase 150 mil veículos eléctricos na Noruega (representam 5% dos veículos de passageiros), quando em 2012 eram dez mil. As motivações ambientais são politicamente correctas, mas não foram elas que ditaram esta evolução, nem tão-pouco as condições atmosféricas. “O carro eléctrico pega sempre, mesmo quando está muito frio”, o que é útil num país onde as temperaturas podem oscilar entre 30 graus e 50 graus negativos, mas “a base do sucesso do veículo eléctrico foram mesmo os incentivos” criados para estes veículos não-poluentes, a nível nacional e a nível local, sublinhou o representante da associação do sector, a EV Norway, Erik Lorentzen, num encontro organizado pela Volkswagen Financial Services, em Oslo.

Entre outros benefícios, quem adquire carros eléctricos não paga IVA, não paga o imposto específico sobre veículos e após a compra fica isento de imposto de circulação. Além disso, têm descontos de 50% nas portagens, auto-estradas e ferries, podem circular em faixas reservadas a transportes públicos (desde que transportem mais de um passageiro) e estacionam de graça. Para que a adesão ao carro eléctrico crescesse também foi fundamental que as autoridades norueguesas abrissem os cordões à bolsa para financiar a rede de pontos de carregamento no país. Entre 2010 e 2014 o Estado apoiou com cerca de seis milhões de euros a construção de uma rede de carregadores rápidos em localizações escolhidas pelos operadores e, em 2015, lançou um concurso público para criar uma rede nacional de estações de carregamento rápido a cada 50 km, que ficou concluída no final do ano passado. Hoje existem 641 estações de carregamento rápido e semi- -rápido, que permitem a 1300 carros realizar carregamentos rápidos em simultâneo. Mas são precisas “mais e com equipamentos mais robustos”, diz Erik Lorentzen, explicando que há novos investimentos sem subsidiação nestas infra--estruturas que estão a ser realizados “essencialmente pelas companhias eléctricas”.

O consultor da EV Norway defende que “o mercado de massas” do carro eléctrico está criado na Noruega, mas agora é fundamental que “a indústria automóvel colabore”, com novos modelos, “melhores e mais baratos”, e em quantidades que dêem resposta “às enormes listas de espera”. Os incentivos públicos “não vão poder manter-se para sempre, mas também é preciso ver como é que a indústria evolui”, sublinha.

Quanto aos carros com motores de combustão interna, Lorentzen acredita mesmo que têm os dias contados num futuro próximo, apesar de o prazo de 2025 não ser vinculativo e resultar apenas de um consenso entre os partidos representados no Parlamento norueguês. “Não vamos [a Noruega] proibir a sua venda, mas iremos usar o sistema fiscal para garantir que um carro a combustão é um mau negócio”, explicou.