Jogadoras do Corinthians vestem frases “machistas” contra o preconceito no futebol

Equipa brasileira entrou em jogo com frases "machistas” nas camisolas. O objectivo é tapá-las com novos patrocínios, combatendo o machismo no desporto

Futebol feminino é “horrível, as atletas parecem estar perdidas dentro de campo”. “Mulher é na cozinha, e não jogando futebol.” “Futebol feminino só vai ser bom quando acabar.” Foi com estes comentários reais, retirados das redes sociais do Corinthians e de outros sites de jornais desportivos, que as jogadoras da equipa feminina do clube brasileiro entraram em jogo, em casa, na estreia no campeonato brasileiro feminino, que arrancou esta quarta-feira, 26 de Abril (e ganharam, 4-1, contra o São Francisco). E vai ser com estas frases estampadas na “segunda pele”, a “camisa do Timão”, que voltam a jogar dia 28 de Abril.

Depois destes dois jogos, a equipa quer tapar as frases com os logótipos dos patrocinadores que, “ao investir no futebol feminino”, estão a contribuir para “silenciar o machismo no desporto”. “Estas frases são reais. Nossa luta contra elas também”, escrevem as jogadoras numa carta aberta dirigida “a todo o Brasil”.

O texto completo da missiva foi divulgado no site da campanha Cale o Preconceito, desenvolvida pelo clube em parceria com a agência de publicidade Y&R, onde, através de um formulário online, a equipa está a tentar angariar patrocínios que “cubram o ódio com as suas marcas”. Para as atletas, a falta de apoios não é a principal dificuldade do futebol feminino, já que esta é “provocada por outra maior e mais grave: o machismo no desporto”.

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Futebol feminino só vai ser bom quando acabarCorinthians

Segundo a Folha de São Paulo, até esta campanha, a equipa contava apenas com um patrocinador, o Positivo Tecnologia, que também apoia a equipa masculina.

Esta não é a primeira vez que as camisolas listadas de preto e branco do Corinthians se vestem de uma causa. Para o Dia da Prevenção do Cancro da Mama lia-se a frase “Corinthians é preto e branco, o Outubro é rosa” e, no Dia Internacional da Mulher, 8 de Março, o clube de São Paulo estampou a hashtag #RespeitaasMinas, em parceria com o colectivo Não é Não, numa acção contra o assédio sexual.

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