Radu Sigheti/Reuters
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Uganda, um exemplo para solucionar a crise de refugiados?

O governo do país africano oferece terrenos aos refugiados, bem como um visto que lhes permite o acesso ao mercado de trabalho

Que país africano faz fronteira com o Quénia, o Sudão do Sul, a República Democrática do Congo, o Ruanda e a Tanzânia? Esta podia ser uma típica pergunta de geografia de um quizz de cultura geral ou até mesmo a “one million dollar question” do popular Quem Quer Ser Milionário. Mas, e se a esta pergunta juntarmos a seguinte: que país africano pode ser um exemplo mundial para lidar com a crise de refugiados? Surpreendentemente, a resposta para ambas é a mesma: o Uganda.

Apesar de ter um dos IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mais baixos a nível mundial, que faz com que seja um dos países menos desenvolvidos do mundo (está em 163.º lugar numa lista de 188 países), o Uganda tem implementado uma política de abertura aos refugiados que tem sido um caso de sucesso e que pode vir a ser um modelo a seguir por diversos outros países, nomeadamente a nível europeu.

Num mundo com mais de 20 milhões de refugiados, cerca de 90% residem em países em desenvolvimento. E se em muitos destes países, de forma a proteger as populações nativas, os governos impedem o acesso dos refugiados aos respectivos países, o Uganda tem adoptado uma estratégia que tem trazido bastantes pontos positivos. O governo do país do leste africano oferece terrenos aos refugiados, bem como um visto que lhes permite o acesso ao mercado de trabalho. Em diversos pontos do país, esta política tem permitido o crescimento do comércio local e o desenvolvimento das cidades, sendo estes novos vizinhos uma vantagem e não uma ameaça para os ugandeses.

No entanto, num país com um IDH tão baixo, grande parte do desenvolvimento económico tem sido conseguido através da ajuda humanitária internacional. Esta tem sido determinante para empregar tanto os refugiados como os ugandeses, o que tem permitido o desenvolvimento de pequenas vilas e cidades, contribuído a pouco e pouco para o crescimento do país.

Apesar das políticas no que respeita aos refugiados terem produzido resultados bastante positivos, o reverso da medalha também se tem verificado, com diversas fraudes a serem identificadas ao longo de todo este processo. Desde esquemas de extorsão, a tráfico de seres humanos ou à inflação do número de refugiados, de forma a aumentar o dinheiro proveniente da ajuda humanitária internacional, o modelo ugandês ainda necessita de alguns aperfeiçoamentos e transparência de modo a ser considerado um pleno caso de sucesso.

Numa Europa que continua a lidar diariamente com o problema dos refugiados, o modelo e exemplo a seguir poderá vir do Uganda. A abertura do país, dos mercados e da economia aos refugiados poderá ser uma forma de melhorar a integração e, ao mesmo tempo, contribuir para o crescimento da economia e do mercado de trabalho. Desta forma, acabaríamos por ter uma dupla vitória: a dos refugiados e a dos países que os acolhem. Quem diria que uma possível solução poderia estar num dos países menos desenvolvidos a nível mundial e esquecido no meio do continente africano?