Vingadores: Guerra do Infinito – dez questões prementes sobre o filme

O Washington Post reúne o que os críticos norte-americanos já escreveram sobre o filme que se estreia esta semana - junta super-heróis de toda a galáxia Marvel e promete bater recordes de bilheteira.

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Marvel

Agora que o filme se estreia, os primeiros veredictos da crítica americana acumulam-se rumo ao consenso: o mega-filme é bem sucedido em muitas frentes, mas uma missão destas dimensões acaba por expor alguns defeitos estruturais.

As impressões dos críticos antes da estreia respondem a algumas perguntas essenciais, sem spoilers, sobre aquilo a que a Hollywood Reporter chama “uma orgia densamente preenchida de super-heróis”.

1 – Vale a pena ir ver o filme?

As contas iniciais dão a Guerra do Infinito uma pontuação de 88% “fresco” no agregador Rotten Tomatoes e uma média de crítica profissional de 68% no Metacritic.

Guerra do Infinito basicamente não é Black Panther (o filme mais bem cotado do Universo Cinemático da Marvel no Rotten Tomatoes), nem sequer um Thor: Ragnarok – mas este gigantesco cliffhanger de duas horas e meia toca nos pontos certos e estabelece solidamente as bases para a monstruosidade endinheirada do próximo ano, Guerra do Infinito: Chapter 2.

2 – Mas com este monte de super-heróis o filme não está demasiado cheio?

"Guerra do Infinito sofre por vezes de algum excesso”, escreve o IGN. “Não há como fugir à abundância de personagens e intrigas secundárias que alimentam a história principal do [vilão], Thanos.”

A Variety escreve elogiosamente: “Por vezes Vingadores: Guerra do Infinito parece uma festa de anos em que recebemos tantas prendas que começamos a ficar cansados de as abrir. Mas vendo-o como aquilo que é, como uma pinhata de diversão, é vivo, rápido e elegantemente encenado”. E a Associated Press saúda a relativa destreza do gigante: “É surpreendente, [mas] Guerra do Infinito raramente parece tão empanturrado quanto um buffet de super-heróis como estes deveriam ser, o que é uma prova da capacidade dos realizadores de manter vários pratos a girar.”

3 – Mas não é confuso tentar seguir meia dúzia de linhas narrativas espalhadas pelo universo?

Felizmente, os realizadores são como polícias de trânsito experientes nestes cruzamentos de franchises.  

“Os realizadores Joe e Anthony Russo e os argumentistas Christopher Markus e Stephen McFeely – nenhum deles desconhecedor do franchise d’Os Vingadores – fizeram parelhas inteligentes das personagens e encontram um ritmo equilibrado à medida que o filme vai saltando entre narrativas”, escreve a Vanity Fair. “Eles extraem uma espécie de equilíbrio do caos de cruzamentos, como peritos em controlo de multidões.”

E, segundo o USA Today, “podia ser uma confusão, mas com os realizadores Anthony e Joe Russo ao leme, Guerra do Infinito é em vez disso uma aventura de BD gloriosa, inteligente, com múltiplas camadas e com envolvimento emocional”.  

4 – Mas uma década de super-heróis do universo Marvel num filme não faz com que muitos deles sejam menorizados?

“Ninguém é relegado para o papel de personagem de fundo, independentemente de quão pequeno é o seu papel”, escreve o IGN. “Sim, fãs de War Machine, até para vocês há qualquer coisa.”

Mas a Entertainment Weekly arrasa: “A Marvel tem uma tal abundância com o seu vasto rol de personagens que algumas não têm muito mais para fazer do que ser figurantes de luxo”. Este elenco super-preenchido suscita ainda um título da Slate que em parte diz: “Guerra do Infinito sugere que Thanos tem razão no facto de haver demasiados Vingadores”.

5 – OK, mas e o tom? O filme tem negrume?

“Guerra do Infinito é grande, tempestuoso e corajoso, levando os espectadores a lugares a que podem não estar habituados”, escreve o crítico do Washington Post Michael O'Sullivan, apontando linhas narrativas mais sombrias, incomuns no Universo Cinemático da Marvel.

6 – O humor típico da Marvel ajuda a elevar as coisas?

Os argumentistas “têm um toque hábil, brincalhão e por vezes frívolo que distribui o humor e evita que este filme longo se torne enfadonho”, diz a Hollywood Reporter, acrescentando que os actores “disparam one-liners e comentários directos com uma ponta extra de desdém e sarcasmo”.

Mas o Vulture, da revista New York, não é fã da abordagem: “Os insistentes e débeis one-liners dos pobres guardiões da galáxia são os pontos baixos do filme”.

7 – Thanos é um bom vilão da Marvel?

O esmagador de mundos Thanos (Josh Brolin) não só chega aos calcanhares como talvez supere vilões passados como Loki ou Killmonger, tornando-se um dos pontos altos do filme.

“Brolin faz Thanos um vilão subtilmente autoritário e melancólico – alguém que parece realmente iludido o suficiente para se considerar mesmo uma divindade misericordiosa e não um assassino de massas”, escreve o Los Angeles Times.

8 - Guerra do Infinito opõe vários egoístas contra outros egoístas, bem como vários actores chamados Chris. Como é que isso corre?

“Tony Stark (Robert Downey Jr.) e Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) digladiam-se num metaduelo entre Sherlock Holmes e comparam as suas barbas”, escreve o New York Times. “O duelo entre bonitões – [Chris] Hemsworth vs. [Chris] Pratt [como Starlord] vs. [Chris] Evans (Capitão América) – acaba num triplo empate.”

9 – Como funciona o seu enorme cliffhanger neste universo gigante?

“Como exercício de poderio de um estúdio... não tem igual”, escreve o Vulture. “Extravagante de forma flagrante e bombástica, manipula o público na perfeição.”

Guerra do Infinito não é verdadeiramente algo a que se possa chamar um filme – é mais de um centro de satisfação”, escreve a revista Time.

Nessa frente, uma das melhores passagens vem do New York Times: “Esta expressão sinergética dos interesses empresariais dos Marvel Studios e da The Walt Disney Company… tornou-se menos uma tarefa criativa ou comercial e mais um facto imutável da vida, como o sexo ou a meteorologia ou o próprio capitalismo”.  

10 – Última pergunta: quantos filmes há mesmo no Universo Cinemático da Marvel?

Às vezes é noticiado que há 18 filmes do universo Marvel, mas não se deixem enganar – e não se esqueçam de O Incrível Hulk, da Universal, em 2008. O número correcto é de 19 filmes, dizem a Time e o site Box Office Mojo.

Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post