Três artistas e um colectivo nomeados para o Prémio Turner 2018

Forensic Architecture, Naeem Mohaiemen, Charlotte Prodger e Luke Willis Thompson vão disputar no final do ano o mais prestigiado prémio de artes do Reino Unido.

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A Tate Britain, em Londres, é a instituição que administra o Prémio Turner Olivia Harris/ REUTERS

Um atelier de arquitectura e três artistas com exposições abordando temas de natureza social, racial e política foram nomeados nesta quinta-feira para a edição do corrente ano do Prémio Turner, cuja exposição final decorrerá entre 25 de Setembro e 6 de Janeiro de 2019.

Forensic Architecture é o atelier, sediado no departamento Goldsmiths da Universidade de Londres, que reúne arquitectos, cineastas, técnicos de software, jornalistas de investigação, advogados e cientistas, e que tem desenvolvido um trabalho pioneiro na investigação de abusos aos direitos humanos.

Os três artistas são Naeem Mohaiemen (n. Londres, 1969), Charlotte Prodger (n. Bournemouth, 1974) e Luke Willis Thompson (n. Auckland, Nova Zelândia, 1988).

Os quatro nomeados vão disputar aquele que é o mais prestigiado prémio de arte contemporânea no Reino Unido, por muitos visto como o “Óscar” neste domínio, e que renderá ao vencedor 25 mil libras (cerca de 28.600 euros), e 5000 libras (5700 euros) aos restantes escolhidos.

Ao contrário do que aconteceu na edição de 2017, quando o concurso foi aberto a artistas com mais de 50 anos – uma decisão que motivou alguma contestação –, os nomeados para 2018 são todos mais novos.

Sobre o trabalho do Forensic Architecture, o crítico do New York Times, Michael Kimmelman, escreveu recentemente tratar-se de um colectivo que “vasculha sinais de mentiras, crimes e violações dos direitos humanos, combinando as competências de arquitectos, as capacidades de recolha de informação de bibliotecários, a perseverança de jornalistas de investigação e a habilidade narrativa de argumentistas”.

Naeem Mohaiemen, artista londrino mas que cresceu em Dhaka, no Bangladesh, foi escolhido pela sua participação na Documenta 14 de Atenas, e pela exposição individual que apresentou no MoMA, de Nova Iorque – trabalhos que usam filmes, instalações e textos para reflectir sobre a história da família, o colonialismo, a política e a religião.

Charlotte Prodger, que estudou na Universidade de Londres e na Escola de Artes de Glasgow, foi nomeada pela mostra individual Bridgit/ Stoneymollan Trail, um filme feito com a montagem de imagens captadas em vídeos e em iPhones desde os anos 90, com música da cantora Nina Simone e textos do autor de ficção científica Samuel R. Delany.

Luke Willis Thompson chega à short list do Turner também através de uma exposição individual. Trata-se de Auto-retrato, um filme mudo e a preto-e-branco, em 35 mm, feito a partir do registo em vídeo do mediático episódio passado no Minnesota, quando um polícia disparou mortalmente sobre um condutor, Philando Castile, situação registada in-loco pela sua companheira Diamond Reynolds.

Os trabalhos dos quatro finalistas vão ser apresentados na Tate Britain, em Londres, no próximo mês de Setembro; serão avaliados por um júri presidido pelo director da instituição, Alex Farquharson, e o vencedor será anunciado em Dezembro.

Na edição de 2017, o Prémio Turner foi, pela primeira vez, para uma mulher negra, Lubaina Himid, que, com 63 anos, foi simultaneamente a mais velha jamais distinguida.