Pegadas revelam que os humanos caçaram preguiças gigantes

Equipa de cientistas analisou rasto de pegadas encontradas no estado do Novo México, nos EUA, que permitem perceber como o homem caçava o enorme animal com mais de dois metros de altura que acabou por ser extinto.

Ilustração que mostra como os humanos tentavam distrair a presa para depois a atacar com lanças
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Ilustração que mostra como os humanos tentavam distrair a presa para depois a atacar com lanças Alex McCelland/Universidade de Bournemouth

Uma equipa de cientistas do Reino Unido descobriu provas de humanos antigos envolvidos num confronto mortal com uma preguiça gigante, mostrando pela primeira vez como os nossos antepassados enfrentaram esta impressionante presa. Com mais de dois metros de altura, com garras nas patas dianteiras, as preguiças gigantes viveram até há cerca de 11.000 anos. A maioria dos cientistas acredita que foi a caça excessiva que acabou por levar à sua extinção.

Pegadas fossilizadas nas salinas do Monumento Nacional de White Sands, no estado do Novo México, no Sudoeste dos Estados Unidos, revelaram que os humanos perseguiram uma preguiça gigante e que depois a terão confrontado, possivelmente com o recurso a lanças que atiraram sobre ela. “A história que podemos ler das pegadas é que os humanos estavam a seguir as pegadas, precisamente no encalce da preguiça”, disse Matthew Bennett, um dos cientistas que participou na descoberta que é publicada na edição desta semana da revista Science Advances.

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Pegada humana dentro do trilho de uma preguiça gigante, que mostra como os humanos a perseguiram Matthew Bennett/ Universidade Bournemouth/Reuters

“Enquanto alguém se ocupava por distrair a presa com algumas manobras, outra pessoa enfrentava o animal e tentava dar o golpe fatal. É uma história interessante e está tudo escrito nas pegadas” , disse Matthew Bennett, professor de ciências ambientais e geográficas da Universidade de Bournemouth, no Sul de Inglaterra. No Monumento Nacional de White Sands, os investigadores identificaram o que é conhecido como “círculos de agitação” que mostram que a preguiça se terá levantando e apoiado apenas nas suas patas traseiras, equilibrando-se com o balanço das patas dianteiras, provavelmente numa atitude defensiva.

Além de rastos de humanos perseguindo a preguiça, há mais pistas encontradas em lugares mais distantes. A partir disso, os cientistas concluem que os humanos trabalharam em grupo, com uma equipa separada distraindo e desorientando a preguiça para a enganar. Os círculos agitados estão sempre associados à presença de pegadas humanas. Onde não há pegadas humanas, as preguiças andam em linhas rectas, mas onde as pegadas humanas estão presentes, as pistas de preguiça mostram evasão, com mudanças súbitas de direcção.

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Pegadas foram descobertas por arqueólogos no Monumento Nacional de White Sands, nos EUA Matthew Bennett/Universidade de Bournemouth/Reuters

Graças às novas técnicas de modelação tridimensional, as pegadas fossilizadas foram preservadas usando um sistema desenvolvido por Matthew Bennett. O processo consiste em recorrer a uma câmara digital para fotografar a pegada de 22 ângulos diferentes, permitindo depois que o um algoritmo de computador construa uma renderização 3D ultra-precisa da pegada.

“Esta prova mostra-nos, pela primeira vez, como eles podem ter lidado com uma destas grandes feras e o facto de isto estar a ser feito de forma rotineira é importante”, disse Matthew Bennett, acrescentando que “obter dois conjuntos de pegadas fósseis que interagem e que, assim, mostram a ecologia comportamental é muito, muito raro”.