Carta anti-semita de Wagner vendida em leilão

A carta data de Abril de 1869. Nela, o compositor defendeu que os judeus exercem uma influência corrosiva na cultura francesa. Arrecadou 27 mil euros.

A carta de duas páginas foi endereçada ao filósofo Edouard Schuré
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A carta de duas páginas foi endereçada ao filósofo Edouard Schuré Reuters/AMMAR AWAD

Uma carta escrita pelo compositor Richard Wagner, onde teorizava sobre a “influência” judaica corrosiva na cultura francesa, foi a leilão na tarde desta terça-feira em Israel. Foi vendida a um colecionador judeu, residente na Suíça, e arrecadou 34 mil dólares (cerca de 27 mil euros).

A carta data de Abril de 1869, foi escrita em Lucerna, na Suíça, e endereçada ao filósofo Edouard Schuré. Nela, o compositor nascido em Leipzig,  defendia que os franceses conheciam “muito pouco” sobre judeus e que a assimilação judia na sociedade francesa significava uma dificuldade acrescida em ver “a influência corrosiva do espírito judaico na cultura moderna”, cita a BBC. Para além das ideias anti-semitas e de pureza racial, Wagner também defendia ideais misóginos.

Estes são os temas principais do seu ensaio, intitulado Judaísmo na Música, escrito em 1850 e reeditado em 1869, para incluir o nome do autor.

Wagner era o compositor preferido de Hitler. Em Israel, pelas suas associações ao nazismo, o legado musical do compositor alemão está informalmente banido.

O leilão, que decorreu às 19h locais (16h em Lisboa), começou com um mínimo de licitação de 5000 dólares. “Curiosamente, esta carta veio de um coleccionador em Israel que provavelmente a comprou num leilão na Europa há dez ou 20 anos”, disse Meron Eren, representante da leiloeira, à Reuters. De acordo com o responsável, Wagner “estaria às voltas na campa” se soubesse que um judeu ia fazer dinheiro a partir da sua carta.

Eren disse que vender a carta anti-semita em Israel foi “um problema” mas que coleccionadores privados ou museus com foco no Holocausto e no ódio aos judeus podiam estar interessados nesta carta. “Achamos que é a coisa certa a fazer”, disse o responsável à Reuters. 

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