A carreira do veloz Bryan Habana parou

Inspirado pelos campeões de 1995, o ponta sul-africano liderou os “Springboks” rumo ao ?título mundial em 2007.

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ryan Craig Habana deve os seus dois nomes próprios a dois futebolistas do Manchester United, Bryan Robson e Craig Bailey, mas foi no râguebi que se notabilizou como um dos grandes jogadores das últimas décadas. O sul-africano de 34 anos anunciou nesta terça-feira o final de uma carreira de década e meia, durante a qual coleccionou vários títulos, individuais e colectivos, para além de deixar o seu nome no topo em várias categorias estatísticas.

Foi com uma publicação no Instagram que Habana anunciou o final de carreira, o “momento inevitável que veio bater à porta”. A lidar há um ano com uma lesão no joelho, o jogador reconheceu que foi um tempo “a esperar, a tentar, a forçar e a desejar um regresso ao campo uma última vez para saborear o doce sabor da vitória ou o desespero da derrota”. “Não era para ser assim. Gostava que tivesse acabado de outra maneira, como todos, mas nem sempre as coisas correm como queremos”, acrescentou o sul-africano.

Mesmo não tendo o râguebi como preferência desportiva nos primeiros anos (gostava de futebol e de atletismo), Habana sentiu-se inspirado pelos feitos da selecção sul-africana campeã mundial de 1995 e que ajudou o país a ultrapassar o drama do “apartheid”, e trocou a bola pela oval. Tinha 13 anos quando François Pienaar e companhia conquistaram o título em casa e Habana iria fazer o mesmo 12 anos depois, em 2007, com novo título para os “Springboks”, graças a várias enormes exibições do seu veloz ponta e que também lhe valeram a eleição como melhor jogador do mundo nesse ano.

“Essa viagem, sair da escola, ter a oportunidade de ir à Cidade do Cabo e ver o que o râguebi significava para uma África do Sul num regime democrático tão recente. Estou muito agradecido à equipa de 1995 e ao Presidente Mandela por terem sido símbolos de esperança e por inspirarem um miúdo de 13 anos a fazer o mesmo”, contava Habana numa entrevista de 2016 ao El País. Nesse Mundial, em França, Habana fez oito ensaios e igualou o recorde de ensaios no torneio do neozelandês Jonah Lomu — também deixou o seu nome ao lado de Lomu em número de ensaios em Mundiais, 15.

Entre 2004 e 2016, Habana jogou 124 vezes no principal XV da África do Sul (o segundo mais internacional de sempre) e foi o autor de 67 ensaios, um recorde nos “Springboks” que, a nível mundial, só perde para o japonês Daisuke Ohata (69). No seu auge, o sul-africano era considerado um dos jogadores mais rápidos do râguebi mundial, capaz de correr os 100m em 10,4s, tendo chegado a fazer uma corrida com uma chita.