União da oposição “não foi fácil”, mas objectivo é ganhar, diz Matan Ruak

Desde o início da campanha para as eleições de 12 de Maio, Xanana Gusmão e Matan Ruak aparecem juntos em palco, visando directamente a Fretilin e Mari Alkatiri nas suas críticas.

Xanana Gusmao com Matan Ruak (esquerda) e Jose Naimori
Foto
Xanana Gusmao com Matan Ruak (esquerda) e Jose Naimori ANTONIO DASIPARU/EPA

A união dos três partidos da oposição em Timor-Leste “não foi fácil”, mas agora há “um único objectivo”, o de vencer as eleições legislativas antecipadas de 12 de Maio, disse à agência Lusa o número dois da coligação, Taur Matan Ruak.

“Não foi fácil este percurso, mas estamos muito determinados e temos um único objectivo: ganhar as eleições, formar o VIII Governo”, disse em entrevista à Lusa o número dois da Aliança de Mudança para o Progresso (AMP).

Presidente do Partido Libertação Popular (PLP), Matan Ruak juntou-se ao Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), de Xanana Gusmão, e ao Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO), de José Naimori.

Os três – Xanana e Matan Ruak, em camuflado da resistência, Naimori, em vestes tradicionais – dão cor à imagem de uma coligação que nasce maioritária, na oposição, no Parlamento, mas com partidos que, há menos de um ano, tinham posturas muito diferentes sobre o futuro do país.

Ficaram evidenciadas em choques intensos entre Taur Matan Ruak – que chegou a comparar Xanana Gusmão a Suharto – e Xanana Gusmão, que respondeu devolvendo uma medalha com que tinha sido agraciado pela Presidência.

Depois de vários anos de grande aproximação entre Xanana Gusmão e Mari Alkatiri, secretário-geral da Fretilin – o partido que viabilizou o Governo minoritário do CNRT nos últimos anos e que agora lidera um executivo minoritário com o PD –, a situação inverteu-se. Xanana Gusmão está com Taur.

“Nós temos uma relação emocional, apesar das diferenças. E não é só de agora. Mas o respeito, o amor, o carinho entre nós é inseparável. Isso foi uma das grandes razões para ganhar a guerra [contra a ocupação indonésia], porque de outra forma teríamos partido o país”, explica.

“Estamos determinados em ganhar, 80% dos que estão agora neste campo são jovens, mas cada vez que falamos da luta – muitos deles nem sequer participaram –, eles identificam-se. Isto é incrível”, explica.

Desde o início da campanha, Xanana Gusmão e Taur Matan Ruak aparecem juntos em palco, visando diretamente a Fretilin e Mari Alkatiri nas suas críticas.

Taur Matan Ruak diz que as coisas “têm as suas nuances” e explica que é a primeira vez que se dá esta “troca” de críticas, insistindo que é da parte da AMP uma resposta a atitudes da Fretilin.

“Pelo facto de a Fretilin ter negado pura e simplesmente o nosso esforço. Quando eu era Presidente, a Fretilin dizia que nós não éramos raízes, quem era raiz eram eles, coisa que não aceitamos. Na verdade, estava a deturpar um bocadinho a história, sobretudo minimizar a contribuição das pessoas”, disse.

“O que nós fizemos na primeira fase foi sacudir um bocadinho a sociedade, dizer de onde viemos, onde estamos e para onde queremos ir. Segundo, focar no que queremos fazer nos próximos cinco anos”, explica.

E conciliar as diferenças programáticas profundas entre CNRT e PLP, diz, “não foi difícil”.

“Porque eu não era contra os grandes projectos. Nunca disse que não queria os megaprojectos. A minha pergunta é porque é que temos dinheiro para os megaprojectos, e não temos dinheiro para a água, para as escolas, para as estradas rurais”, afirmou.

“Aliás, vetei o Orçamento, insistindo para que o Governo aumentasse o orçamento da Educação, Agricultura, Saúde, Desenvolvimento Rural, essas áreas primárias. Precisamos combinar o imediato, o médio e o longo prazo” explicou.

É esse, disse, o objectivo da AMP – avançar no que tem sido feito de bom, mas responder às necessidades básicas da população.

O escrever da História, diz, deve ser deixado para os historiadores: “Nós vamos tentar reajustar algumas coisas, mas o resto fica para os historiadores.”

A campanha decorre até 9 de Maio.