Sócrates vai ser assistente no caso de divulgação dos interrogatórios

“A exibição televisiva de interrogatórios judiciais fez o processo da Operação Marquês subir a um novo patamar de infâmia”, diz José Sócrates.

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dro Daniel Rocha

O ex-primeiro-ministro José Sócrates vai constituir-se assistente no inquérito aberto pelo Ministério Público por causa da divulgação, pela SIC e pela CMTV, dos vídeos dos interrogatórios dos arguidos da Operação Marquês.

“A exibição televisiva de interrogatórios judiciais fez o processo da Operação Marquês subir a um novo patamar de infâmia”, observou nesta sexta-feira, em conferência de imprensa, o antigo governante socialista, para quem esta questão e as violações do segredo de justiça neste caso só podem resultar da complacência das autoridades, senão da sua cumplicidade. Os visados das suas suspeitas são vários: o Ministério Público, em primeiro lugar, e o juiz de instrução Carlos Alexandre, em segundo. "Por acção ou por negligência são eles os autores morais dessas e das demais violações da lei que ocorreram”, proclamou o principal arguido da Operação Marquês.

“Não, não há nenhum interesse público nisto. O que há é apenas o interesse venal, a motivação política e, claro, a patifaria."

Como assistente deste inquérito, José Sócrates terá a oportunidade de conhecer as diligências do Ministério Público em primeira mão e de tomar posição sobre elas.

Na conferência de imprensa num hotel no Parque das Nações, bairro onde vive, o ex-primeiro ministro aproveitou ainda a oportunidade para se defender no que às questões relativas à Parque Escolar respeita, e que fazem também parte do rol de acusações da Operação Marquês.

“No interrogatório é possível ouvir o senhor procurador dizer que a acusação tem a ver com a dimensão das adjudicações à empresa Lena, que teria tido uma percentagem de 10,6% do total, muito acima da sua quota de mercado”, recordou. “Na altura do interrogatório eu nada sabia e até dei como bom este número. Acontece que a afirmação do senhor procurador é falsa”, assegura Sócrates, remetendo para uma auditoria da Inspecção-Geral das Finanças datada de finais de 2011. “Não é 10 por cento, é 3,7 por cento, três vezes menos. A acusação está, portanto, baseada num erro e numa falsidade”. O suficiente para o arguido concluir pela “leviandade e desonestidade” das acusações que impendem sobre si. 

O ex-governante apresentou-se sozinho, sem a presença de nenhum advogado.