“Se a reunião com a Coreia do Norte não der frutos, saio”

O encontro histórico entre os líderes dos EUA e da Coreia do Norte está em preparação e vai "acontecer em breve", mas Trump deixa o aviso: está preparado para sair a qualquer momento.

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Donald Trump Reuters/JOE SKIPPER
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Trump falou ao lado de Shinzo Abe, primeiro-ministro japonês, de visita aos EUA Reuters/KEVIN LAMARQUE

Donald Trump concordou encontrar-se com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, “nas próximas semanas” antes de Junho e em local ainda por decidir. O encontro é histórico – os líderes dos dois países nunca se encontraram – mas Trump deixa um aviso: se as conversações não “derem frutos”, ele está pronto para se levantar e sair. Numa conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que está de visita aos EUA, o Presidente norte-americano diz que vai manter “máxima pressão” na questão da desnuclearização da península coreana e que vai lutar pela libertação de três norte-americanos presos na Coreia do Norte.

“Como sabem, vou encontrar-me com Kim Jong-un nas próximas semanas para discutir a desnuclearização da Península Coreana”, disse Trump aos jornalistas, na sua casa de férias em Mar-a-Lago, na Flórida. “Espero que a reunião seja um sucesso e estamos muito ansiosos por ela”, cita o Guardian.

Lado a lado com o primeiro-ministro japonês, Trump disse que reconhece nunca “ter estado numa posição como esta com aquele Governo” e que espera que a reunião seja “bem-sucedida”. “Se enquanto lá estiver a reunião não der frutos, então saio respeitosamente”, remata Trump.

Por seu turno, Abe afirmou que não devia haver “nenhuma recompensa” para a Coreia do Norte só por ter aceitado dialogar sobre armas nucleares. Aconselha ainda a manter “máxima pressão” sobre os norte-coreanos.

O Presidente norte-americano também afirmou que os EUA estão a “lutar muito diligentemente” pela liberdade de três compatriotas detidos na Coreia do Norte. Trump tem esperanças e afirma que está a ter “um bom diálogo com os norte-coreanos” nesse sentido, cita a CNN. A promessa de libertação de prisioneiros em cativeiro estende-se também aos japoneses raptados nos anos 70 e 80. Durante a conferência de imprensa, Trump reiterou o seu compromisso com o chefe de Governo japonês: “Queremos muito ver essas famílias reunidas.”

Trump sublinhou também o “grande impacto” do encontro do Presidente chinês, Xi Jinping, com o líder norte-coreano. Os dois encontraram-se em Março deste ano e anunciaram um novo encontro esta quinta-feira: desta feita, os dois líderes vão encontrar-se em território norte-coreano, algo histórico. Será a primeira visita do líder chinês à Coreia do Norte desde que se tornou secretário-geral do Partido Comunista Chinês, em Novembro de 2012.

Estes encontros sucedem-se numa altura em que foi aberta uma via de diálogo. Mike Pompeo, director da CIA e nomeado para substituir Rex Tillerson no Departamento de Estado, encontrou-se na Páscoa com Kim Jong-un, naquele que foi o primeiro encontro ao mais alto nível desde 2000. Nesse ano, Madeleine Albright, então secretária de Estado, encontrou-se com Kim Jong-il em Pyongyang. Muitos analistas antecipavam que a visita de Albright abria a hipótese de um encontro entre Bill Clinton e Kim, mas o Presidente dos EUA não quis dar esse passo por se encontrar na recta final do segundo mandato.

A reunião entre Mike Pompeo e Kim Jong-un foi avançada na noite de terça-feira por vários jornais norte-americanos e confirmada na quarta-feira pelo Presidente norte-americano através da sua conta no Twitter: "Mike Pompeo encontrou-se com Kim Jong-un na semana passada. A reunião decorreu sem problemas e foi criada uma boa relação. Agora estão a ser trabalhados os detalhes da cimeira. A desnuclearização será excelente para o mundo, mas também para a Coreia do Norte!"

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