Projecto-piloto quer provar que é possível reabilitar e baixar consumos de energia

Município da Serra da Estrela, uma das zonas mais desafiantes do pais, vai ser palco de um projecto que pretende demonstrar que é possível transformar imóveis degradados em edifícios eco-eficientes a custos acessíveis.

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Um núcleo de três edifícios devolutos e muito degradados bem no centro da cidade de Gouveia, comprados pela câmara municipal, vão servir de experiência-piloto para demonstrar que é possível construir cidades sustentáveis, e comunidades eco-eficientes, a custos acessíveis. O projecto SENZEB (acrónimo de “Serra da Estrela Nearly Zero-Energy Buildings”, ou seja, edifícios de elevado desempenho energético na Serra da Estrela) vai ser apresentado nesta quinta-feira na Universidade de Coimbra, que coordena o projecto, na presença da secretária de estado da Habitação, Ana Pinho, e da presidente do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), Alexandra Gesta. 

Numa altura em que os efeitos nefastos das alterações climáticas e da desertificação do interior são cada vez mais evidentes, a pertinência deste projecto poderá ser comprovada nos resultados que a equipa técnica se propõe a partilhar com toda a gente após a conclusão do projecto. Os resultados vão ser compilados num dossier acessível a qualquer um, com todos os estudos, resultados e ganhos da intervenção: os intervenientes vão dizer o que fizeram, como fizeram, que materiais utilizaram, que técnicas experimentaram, quais as melhores estratégias a seguir. “Basicamente, se funcionar em Gouveia, numa das zonas mais desafiantes do país em termos de amplitudes térmicas, vai funcionar em todo o lado”, diz Eduardo Mota, um dos coordenadores do SENZEB.

A expectativa deste arquitecto é começar no imediato a trabalhar nos projectos de arquitectura para que a intervenção possa arrancar no início do próximo ano num primeiro edifício, para testar as soluções e depois replicá-las aos outros dois. A correr bem, como se espera, o projecto pode aplicar-se, em moldes semelhantes, na reabilitação de outros conjuntos edificados com valor patrimonial, noutras geografias e condições climáticas do território nacional.

“O nosso objectivo é demonstrar que é possível pegar em edifícios degradados e torná-los eco-eficientes (não só em termodinâmica, mas também na gestão de resíduos urbanos e de gestão de águas) e com custos acessíveis a uma família da classe média”, sintetizou Eduardo Mota.

A iniciativa nasce de uma associação entre o Departamento de Arquitectura da Universidade de Coimbra e o colectivo Archigraphics-Studio, à qual já se juntaram diversos parceiros na fileira da construção, laboratórios e centros de investigação e desenvolvimento da Universidade de Coimbra.