Portugal é um dos oito países com maior percentagem de filhos fora do casamento

Mais de metade dos bebés portugueses (52,8%) nasceram de pais não casados, em 2016. E, do total de crianças nascidas naquele ano, 17,1% tinham os pais a viver em casas separadas.

A decisão de ter filhos já não passa pelo casamento para mais de metade dos casais
Foto
A decisão de ter filhos já não passa pelo casamento para mais de metade dos casais Bruno Lisita

A tendência que leva os portugueses a terem cada vez mais filhos fora do casamento não é recente e foi nesta terça-feira quantificada pelo Eurostat: Portugal é um dos oito estados-membros da União Europeia onde mais de metade dos bebés nasceram fora do casamento: 52,8%, em 2016. 

Segundo o gabinete de estatísticas da União Europeia (UE), naquele ano a França encabeçou a lista ao somar 59,7% de crianças nascidas fora do casamento. Seguiram-se a Bulgária e a Eslovénia, com 58,6% cada, a Estónia, com 56,1%, a Suécia (54,9%) e a Dinamarca (54,0%).

Portugal surge assim em sétimo lugar, seguido da Holanda (50,4%). A tendência que leva os portugueses a avançar com a paternidade sem passar pelo casamento vem de há muitos anos. Era de 22,2% no ano 2000. E, apenas dez anos depois, em 2010, era já de 41,3%, tendo aumentado para os 50,7% em 2015. 

Os sociólogos há muito que se detêm no escrutínio desta realidade. E concluem, como Anália Torres, que os consecutivos aumentos da percentagem de bebés nascidos fora do casamento não pressupõem nenhuma rejeição da conjugalidade, antes uma inversão de prioridades. "No chamado 'modelo moderno', as pessoas vivem juntas, têm filhos e depois é que casam", situou ao PÚBLICO aquela investigadora, numa das muitas vezes em que se demorou a desocultar os significados por detrás destas estatísticas. 

Igualmente expressivo é o aumento das crianças portuguesas nascidas não só fora do casamento mas também sem coabitação dos pais. Os números triplicaram em dez anos. E, 2016, 17,1% dos bebés tinham nascido sem os pais a viverem sob o mesmo tecto, fosse por efeito da crise, que empurrou muitos profissionais para o estrangeiro, fosse pela disseminação do chamado living apart together, à luz do qual as pessoas mantêm relações estáveis e duradouras sem, contudo, viverem na mesma casa. 

Os dados do Eurostat mostram, por outro lado, que a Grécia (9,4%), Croácia (18,9%), Chipre (19,1%), Polónia (25,0%), Lituânia (27,4%), Itália (28,0%), Roménia (31,3%) e Malta (31,8%) têm as menores taxas de filhos de pais não casados.

A maior subida percentual foi registada no Chipre (2,3% em 2000 para 19,1% em 2016), seguindo-se Malta (de 10,6% para 31,8%), Itália (de 9,7% para 28%), Espanha (17,7% para 45,9%), Grécia (4,0% para 9,4%) e Portugal (22,1% para 52,8%).