Trump desdiz embaixadora na ONU e adia sanções contra a Rússia

Nikki Haley tinha dito no domingo que os EUA iam avançar para novas sanções contra empresas russas que apoiam Assad. Casa Branca quer esperar mais tempo.

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A embaixadora Nikki Haley tinha anunciado novas sanções JASON SZENES/EPA

O Presidente dos EUA, Donald Trump, decidiu adiar a aplicação de novas sanções contra a Rússia numa tentativa de travar a espiral de tensão entre os dois países, após a operação militar internacional com o objectivo de punir o uso de armas químicas pela Síria.

A embaixadora norte-americana na ONU, Nikki Haley, tinha revelado no domingo que Washington iria aprovar sanções económicas a empresas russas que apoiam o programa de armamento químico do regime de Bashar al-Assad, aliado da Rússia. À CNN, Haley disse mesmo que o secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, as iria anunciar já na segunda-feira.

A declaração de Haley surgiu após a operação militar conjunta dos EUA, Reino Unido e França, no sábado, contra instalações do Exército sírio para neutralizar a capacidade de produção de armas químicas do regime, que é acusado de ter cometido um ataque em Douma.

No entanto, a Casa Branca adoptou uma abordagem mais cautelosa, afastando a possibilidade de aplicar sanções imediatamente. “Estamos a ponderar sanções adicionais contra a Rússia e uma decisão será tomada no futuro próximo”, disse a secretária de imprensa, Sarah Sanders.

O objectivo de Trump é manter a ameaça de mais sanções em cima da mesa sem, no entanto, dificultar o diálogo entre os dois países, diz a imprensa norte-americana. “O Presidente foi claro ao dizer que pretende ser duro com a Rússia, mas ao mesmo templo gostaria de manter uma boa relação com eles”, disse Sanders, citada pelo New York Times.

Um dirigente da Administração Trump disse à Reuters que Washington está a adiar a aplicação de novas sanções para que continue a ser possível negociar entendimentos com a Rússia em várias áreas, sobretudo no combate ao terrorismo e à supervisão da Internet.

No mês passado, os EUA encabeçaram uma ampla resposta internacional à tentativa de homicídio do ex-agente russo Sergei Skripal – que Washington e Bruxelas dizem ter sido orquestrado por Moscovo. Expulsaram dezenas de diplomatas russos e impuseram sanções contra dirigentes próximos do regime.