Cliente “mistério” do advogado de Trump é um conhecido apresentador da Fox News

Investigado pelo FBI e intimado pela justiça, Michael Cohen resistiu até à última até revelar o nome do seu cliente, Sean Hannity, um dos principais apoiantes do Presidente nos media norte-americanos.

Sean Hannity, apresentor de rádio e televisão na Fox News
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Sean Hannity, apresentor de rádio e televisão na Fox News Mike Segar / Reuters

Michael D. Cohen, advogado pessoal e amigo de longa data de Donald Trump, também representou legalmente o conhecido apresentador de rádio e televisão da Fox News Sean Hannity. A informação foi revelada numa audiência realizada num tribunal de Nova Iorque na segunda-feira, no âmbito mais alargado das investigações à interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas.

Na sequência das buscas efectuadas pelo FBI à casa e escritório de Cohen, na semana passada, a juíza Kimba Wood emitiu uma ordem judicial na qual instava o advogado a revelar os nomes de todos os seus clientes desde que abandonou a Trump Organization – pouco depois das eleições de 2016. 

Segundo a imprensa norte-americana, entre os documentos confiscados pelos inspectores do FBI estarão provas dos pagamentos efectuados por Cohen para comprar o silêncio da actriz pornográfica Stormy Daniels, que garante ter tido um caso amoroso com o Presidente, em 2006.

A equipa de defesa de Cohen, liderada por Stephen Ryan, fez referência a três clientes, mas só revelou os nomes de dois – Donald Trump e o financiador republicano Elliot Broidy. Sob o argumento de que o terceiro cliente era uma “pessoa proeminente” e que se sentiria “embaraçada” se fosse conhecida a sua identidade, Ryan resistiu até ao fim em revelar o seu nome. Acabou por fazê-lo na segunda-feira, instado por Wood.

Pouco depois de revelação, o próprio Hannity recorreu ao Twitter para apresentar a sua versão e afastar-se das investigações do procurador especial Robert Mueller. O apresentador da Fox News garantiu que Cohen “nunca o representou”, que nunca lhe pagou por quaisquer serviços e que apenas tiveram “breves e ocasionais discussões sobre questões legais”. 

“Assumi que essas conversas fossem confidenciais mas, para ser totalmente claro, elas nunca envolveram quaisquer matérias entre mim e uma terceira parte”, escreveu naquela rede social. Mais tarde, no seu programa de rádio, Hannity reforçou esta ideia, mas admitiu que talvez tenha “oferecido 10 dólares” a Cohen por aconselhamento legal.

Sean Hannity é um dos mais fervorosos defensores de Trump nos media norte-americanos e tem sido uma voz bastante crítica das investigações lideradas por Mueller. Nos seus programas na Fox News não foram poucas as vezes em que defendeu a tese da “caça às bruxas”, apregoada pelo Presidente dos Estados Unidos, e em que criticou duramente o procurador especial. “Se tem alguma prova que seja, por favor revele-a. Este país está preso por um fio e você [Mueller] não parece importar-se”, implorou numa dessas ocasiões.

O Presidente Trump já elogiou Hannity publicamente e em diversas ocasiões – incluindo comícios políticos e publicidade do seu programa via Twitter – e, de acordo com o New York Times, recorreu aos seus conselhos antes, durante e depois da campanha presidencial. De acordo com aquele diário norte-americano, o apresentador visitou recentemente a Casa Branca e o resort de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida, para jantar com o Presidente.

“Hannity” é o mais conhecido programa do cliente “mistério” de Cohen e um dos mais bem-sucedidos nos EUA, particularmente desde que Trump entrou na Casa Branca. No primeiro trimestre de 2018, o noticiário teve uma média de 3,2 milhões de espectadores – praticamente o dobro do registado nos primeiros meses de 2016.