Antigo guarda nazi acusado de apoio a “actos de extermínio”

Acusação da Procuradoria alemã chega um mês depois da morte, aos 96 anos, do “contabilista de Auschwitz”, que tinha sido condenado a quatro anos de prisão.

O campo de concentração
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O campo de concentração de Auschwitz, na Polónia, é considerado o maior centro de extermínio nazi Reuters/KACPER PEMPEL

Um antigo oficial das SS – a força militar mais temível ao serviço dos nazis –, actualmente com 94 anos, foi acusado, nesta segunda-feira, pelo Ministério Público alemão, de cumplicidade no genocídio de 13.335 pessoas no campo de concentração de Auschwitz, onde foi guarda entre Dezembro de 1942 e Janeiro de 1943. O caso foi encaminhado para um tribunal em Mannheim, na Alemanha. 

O homem, que não foi ainda identificado, tinha na altura 19 anos e é acusado de “ter apoiado as operações do campo e, portanto, os actos de extermínio”, de acordo com o comunicado da Procuradoria de Justiça alemã citado pela estação britânica BBC. “O Ministério Público presume que pelo menos 13.335 dessas pessoas foram classificadas como inaptas para trabalhar e assassinadas nas câmaras de gás de Auschwitz-Birkenau”, diz o relatório.

Se o caso avançar para julgamento, o suspeito, que negou saber da ocorrência do extermínio em massa ou de pormenores sobre os assassínios, será tratado de acordo com a idade que tinha à data das alegadas ofensas, de acordo com a estação televisiva CBS.

Segundo a Procuradoria de Estugarda, o homem, de nacionalidade alemã, nasceu em Ruma, uma cidade no Norte da Sérvia. Durante os dois meses em que foi guarda no campo de Auschwitz, 15 transportes ferroviários levaram vítimas para o campo ocupado pelos nazis no Sul da Polónia, onde eram enviadas para as câmaras de gás. Mais de 1,1 milhões de pessoas, a maioria judeus, foram assassinados no campo de concentração de Auschwitz, considerado o maior centro de extermínio nazi. Estima-se que menos de 50 dos cerca de 6500 guardas nazis que sobreviveram à Segunda Guerra Mundial terão sido condenados.

A condenação, em 2011, de John Demjanjuk – antigo guarda do campo de concentração de Sobibór – a cinco anos de prisão por “cumplicidade” na morte de 27.900 judeus abriu caminho ao julgamento de antigos guardas nazis por terem sido cúmplices em crimes associados ao Holocausto. Antes, a justiça alemã só havia processado criminosos de guerra nazis contra os quais houvesse indícios que provassem o seu envolvimento directo em atrocidades ou mortes específicas. Demjanjuk recorreu da decisão e acabou por morrer antes de o Supremo Tribunal alemão se ter pronunciado.

Em 2015, o antigo guarda nazi Oskar Gröning, com 93 anos – conhecido como “o contabilista de Auschwitz” – foi condenado a quatro anos de prisão por participação indirecta no assassinato de 300 mil judeus. No entanto, o cumprimento da sentença foi, mais uma vez, adiada e Gröning acabou por morrer, no mês passado, aos 96 anos, sem cumprir a pena. Em Junho de 2017, Reinhold Hanning, também antigo guarda no campo de concentração de Auschwitz, morreu sem cumprir a sentença de cinco anos de prisão a que tinha sido condenado por cumplicidade na morte de 170 mil pessoas. O facto de os acusados terem já uma idade avançada dificulta os julgamentos, que têm vindo a ser adiados devido ao longo procedimento para determinar se os acusados estão ou não em condições de ir a tribunal.