FMI volta a rever crescimento e emprego português em alta

Fundo vê o país a acompanhar a aceleração da economia europeia e é a agora a instituição mais optimista em relação ao crescimento económico e à descida da taxa de desemprego em 2018.

Christine Lagarde está mais optimista em relação ao crescimento português
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Christine Lagarde está mais optimista em relação ao crescimento português Reuters/© Yuri Gripas / Reuters

Pela segunda vez no período de meio ano, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu nesta terça-feira a sua previsão de crescimento para a economia portuguesa em 2018, apontando agora para um desempenho que é ligeiramente mais favorável do que o projectado pelo Governo e que contribui para colocar a taxa de desemprego já abaixo de 7% em 2019.

Nas Previsões de Primavera agora divulgadas, a entidade liderada por Christine Lagarde prevê que o PIB português registe este ano uma variação de 2,4%, uma melhoria face aos 2,2% que eram estimados em Dezembro e que, por sua vez, já resultavam de uma revisão em alta da projecção de 2% apresentada em Outubro pelo FMI que, assim, passa a ser a instituição internacional com uma visão mais optimista em relação ao crescimento deste ano. No Programa de Estabilidade apresentado na semana passada, o Governo passou a previsão de 2,2% para 2,3%, o mesmo valor estimado pelo Banco de Portugal e pela OCDE. Comissão Europeia e Conselho de Finanças Públicas apontam neste momento para um resultado de 2,2%.

O crescimento de 2,4%, apesar de significar um abrandamento face aos 2,7% atingidos em 2017, mostra que o FMI está a espelhar nas suas previsões para Portugal as suas perspectivas mais positivas para toda a economia europeia. O Fundo também tem vindo a rever em alta as previsões de crescimento para a zona euro em 2018, passando-as de 1,9% em Outubro do ano passado para 2,2% em Janeiro e 2,4% agora.

Isto significa que, de acordo com o Fundo, Portugal irá crescer em 2018 o mesmo que a zona euro, depois de em 2017 ter conseguido regressar momentaneamente a uma convergência.

Para 2019, o FMI não alterou as suas previsões e continua a mostrar muita desconfiança em relação à capacidade de Portugal sustentar um padrão elevado de crescimento. A sua projecção continua a ser de uma variação do PIB de 1,8%, que fica abaixo dos 2% estimados para o total da zona euro. Para o FMI, entre os países da zona euro, Portugal apenas será capaz no próximo ano de superar os resultados da Itália e da Bélgica, igualando a Grécia.

Precisamente ao contrário do que acontece em relação a 2018, o Fundo é a instituição com previsões mais pessimistas para 2019. O Governo acredita num crescimento de 2,3% no próximo ano, tal como a OCDE. Banco de Portugal, Conselho das Finanças Públicas e Comissão Europeia não vão além de uma previsão de 1,9%.

Nas suas análises sobre Portugal, o FMI tem defendido que, sem mais reformas estruturais, o crescimento potencial da economia portuguesa permanecerá a um nível relativamente baixo, conduzindo as taxas de variação do PIB progressivamente para valores mais próximos de 1%. Para 2023, o FMI apresenta uma previsão de crescimento de apenas 1,2%.

Desemprego abaixo de 7%

Esta tendência de abrandamento projectada para a economia não impede contudo que o Fundo antecipe a continuação de uma melhoria das condições do mercado de trabalho tanto este ano como em 2019. Para 2018, a previsão para a taxa de desemprego é de 7,3%, uma descida muito forte face aos 8,9% de 2017 e um resultado melhor do que os 7,6% que são projectados pelo Governo no Programa de Estabilidade.

Para 2019, o FMI projecta uma nova descida da taxa de desemprego, desta vez até aos 6,7%, ao passo que o Governo ainda aponta para um valor acima dos 7% no próximo ano.

As estimativas do Fundo para o mercado de trabalho são semelhantes às reveladas recentemente pelo Banco de Portugal, que estima taxas de desemprego de 7,3% este ano e de 6,3% no próximo.

Investimento e comércio recuperam no globo

No relatório agora dado a conhecer, o FMI não dá uma explicação específica para as previsões que apresenta para Portugal. Mas na análise feita à economia mundial e, concretamente, à situação na zona euro, avança com dois grandes factores para o desempenho mais forte do que aquele que era esperado: a retoma do investimento e do comércio internacional.

Em relação às previsões feitas anteriormente, é nas chamadas economias avançadas (especialmente EUA e zona euro) que se registam as principais revisões em alta, mantendo-se praticamente inalteradas as projecções para as economias emergentes.

Nas economias avançadas, o investimento, que desde o início da crise financeira se mantinha muito fraco e que em 2016 tinha voltado a desiludir, é dado como o motivo essencial para o resultado mais forte da economia em 2017, esperando-se agora uma manutenção da tendência de recuperação.

Os volumes de comércio internacional deverão também continuar a crescer, uma vez que, de acordo com o FMI, estão fortemente correlacionados com a evolução do investimento. Ainda assim, alerta o relatório, uma escalada nas medidas proteccionistas poderia pôr em causa esta evolução.

Ao nível das políticas orçamental e monetária, o Fundo espera que a primeira se torne um pouco mais expansionista a nível global (com a ajuda muito significativa do corte de impostos nos EUA) ao passo que a segunda ficará progressivamente mais restritiva. Ainda assim, no que diz respeito à zona euro a expectativa é a de que as taxas de juro de curto prazo se mantenham em 2019 ainda em terreno negativo.