Gigante chinesa Alibaba entra na corrida da condução autónoma

As três grandes tecnológicas chinesas estão a investir em força no sector.

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A empresa junta-se à Baidu e à Tencent Reuters/STEVEN SHI

As gigantes tecnológicas chinesas estão a investir em força no sector da condução autónoma. O grupo Alibaba, conhecido pelas plataformas de comércio online, confirmou esta segunda-feira que a empresa também já está a realizar testes para veículos que se conduzem sozinhos.

A notícia chega uma semana depois de a rival Tencent, dona do serviço de mensagens WeChat, ter anunciado uma parceria com o fabricante de automóveis chinês Changan Auto. Em 2017, o portal de serviços chinês já tinha comprado 5% das acções da Tesla por mais de 1,4 mil milhões de euros. Na corrida está também a Baidu, a empresa do motor de busca mais popular no país, que tem uma plataforma de tecnologia de condução autónoma chamada Apollo.

As três empresas querem todas desenvolver veículos de nível 4, nos quais a presença do condutor não é essencial e o carro circula sozinho em zonas seguras, mapeadas e preparadas para a tecnologia.

De acordo com a consultora McKinsey, a China está a posicionar-se para liderar o mercado de veículos autónomos. “A China definiu um alvo ambicioso. Quer que 10% a 20% dos carros sejam altamente autónomos até 2025, e que 10% sejam completamente autónomos até 2030”, lê-se num relatório de 2017.

Em Maio de 2017, a Alemanha tornou-se num dos primeiros países com legislação definida sobre este tipo de veículos. Agora, a legislação para os veículos autónomos na China poderá vir a ser baseada nestas regras. No mês passado, o Governo chinês convidou Eric Hilgendorf, um dos especialistas que participou na comissão de ética sobre carros autónomos na Alemanha, para falar sobre o modelo em vigor no seu país.

Segundos as leis alemãs, deve existir sempre alguém capaz de conduzir em frente ao volante, para assumir o controlo do veículo caso necessário. E, em caso de acidente, a lei prevê que a culpa seja atribuída a este ocupante, a não ser que se encontrem provas em contrário. Numa entrevista à Reuters, Hilgendorf diz que levar a China a concordar com as leis alemãs é benéfico porque leva a que exportações futuras deste tipo de veículos precisem de menos modificações.

Na Europa, a Comissão Europeia não ignora a importância da tecnologia de condução autónoma para manter a competitividade no sector automóvel. “A cadeia de valor europeia para o sector automóvel ainda é forte, mas corre riscos se a indústria automóvel na Europa perder a sua competitividade e ficar atrás na mudança para veículos mais autónomos e conectados,” lê-se num relatório sobre 2017. "A regulação é a chave para nivelar o campo entre a União Europeia e outros mercados."

Explorar a conectividade entre vários aparelhos tecnológicos é um dos grandes objectivos da Alibaba. Em Junho de 2016, a empresa lançou um sistema de inteligência artificial em Hangzhou, a que chamou “cérebro da cidade”, para monitorizar dados de várias aplicações e serviços e ajudar a gerir o trânsito.