Perguntas e Respostas

Será verdade que foi ferido "o coração do programa de armas químicas" de Assad?

Os EUA declararam que o programa foi "atrasado vários anos" na sequência do ataque. Mas há suspeitas de que os alvos poderiam já não ser assim tão importantes.

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O Laboratório de Barzeh, nos arredores de Damasco, antes de ser bombadeado DigitalGlobe/REUTERS
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O mesmo local depois do ataque aliado DigitalGlobe/REUTERS

Depois de os EUA terem declarado que “o coração do programa de armas químicas de Assad” foi atingido, começam a surgir dúvidas sobre a eficácia do bombardeamento da madrugada de sábado.

É possível ter a certeza que foi gravemente diminuída a capacidade de produção de armas químicas do regime sírio?

Não. Há laboratórios militares e locais de armazenamento espalhados em vários locais na Síria, e vários anos de diplomacia falhada mostram que Assad conseguiu sempre esconder as suas armas químicas, e manter a capacidade de produzir mais, apesar de ter entregue, em 2014, 600 toneladas de agentes tóxicos, depois de um brutal ataque com armas químicas em Ghouta Oriental. Nessa altura, a Síria assinou a convenção internacional para a proibição das armas químicas — que a deveria ter impedido de lançar novos ataques. 

O que faz suspeitar que Assad  tenha mais armas químicas?

O New York Times cita dois factores. Um deles é não haver ninguém nos locais bombardeados: é certo que os russos tinham sido avisados dos ataques, mas o facto não haver ninguém a guardá-los sugere que já não serão peças fundamentais no programa de armas químicas. Outro factor, mais importante, é não se ter detectado qualquer fuga química naqueles locais, apesar de terem sido atacados com mais de 100 mísseis.

Será fácil fabricar armas químicas noutros locais?

Depende do tipo de produtos. O cloro, por exemplo, é um químico extremamente comum, que não é possível proibir — é a base da comum lixívia, por exemplo. E julga-se que terão sido usadas bombas de cloro, bem como de sarin, no ataque a Douma, por exemplo. A capacidade de Assad pode ter sido limitada, mas não destruída.