Câmara paga um milhão por campo de futebol no Carregado

A associação desportiva estava obrigada a sair pois a justiça sempre deu razão aos proprietários do terreno

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A Câmara Municipal de Alenquer aprovou nesta segunda-feira, por unanimidade, uma proposta de aquisição por um milhão de euros do espaço do campo de futebol utilizado há décadas pela Associação Desportiva do Carregado (ADC). Com esta decisão, a autarquia pretende evitar a saída forçada do clube daquelas instalações, uma vez que a família proprietária requereu a devolução do terreno na justiça e os sucessivos tribunais que analisaram o processo deram-lhe razão. A oposição alenquerense considera que os executivos socialistas que têm governado a Câmara deveriam ter resolvido o assunto há mais tempo, evitando um encargo tão pesado. O presidente da Câmara sustenta que esta era a única forma de evitar danos maiores para um clube com cerca de 800 praticantes.

Depois de vários “ultimatos” para a saída da colectividade e de sucessivos recursos judiciais da ADC, o Supremo Tribunal de Justiça deu razão à família Pinto Barreiros que reclamava a devolução dos terrenos do Campo Lacerda Pinto Barreiros. Responsáveis do clube alegaram que o espaço terá sido doado à ADC por Lacerda Pinto Barreiros, antigo patriarca da família já falecido, mas na falta de documentos que atestassem essa doação, os tribunais foram dando razão às pretensões da família. Já em Junho do ano passado, a Câmara anunciou que iria tentar comprar o espaço. Chegou a propor 925 mil euros, mas a família exigiu sempre 1 milhão de euros.

Pedro Folgado (PS), presidente da autarquia alenquerense, explica que esta aquisição será sempre uma solução transitória, que permitirá à ADC manter a prática do futebol (com equipas em todos os escalões) naquele espaço. Mas, acrescenta, numa perspectiva de médio e longo prazo, o objectivo da câmara será construir um novo campo de futebol noutra zona do Carregado e aproveitar o espaço do actual campo para criar o parque urbano de que a vila necessita.

Com mais de 15 mil habitantes, o Carregado é nesta altura o maior aglomerado urbano do concelho e continua a crescer, beneficiado pelo nó rodoviário. “Se a câmara não comprasse o terreno, a ADC teria que sair imediatamente. Não havendo alternativas, considerámos que esta é a melhor forma, tendo também em conta o número de alunos, que é quase 800. Seria uma perda para o concelho e não haveria uma alternativa para a formação desportiva desses jovens”, vincou o autarca, sublinhando que o problema não foi criado pela Câmara e que antigas direcções do clube deveriam ter tratado da regularização da propriedade do terreno. “Adquirimos o terreno conscientes de que também podemos fazer daquele espaço um parque urbano de que o Carregado carece para contrapor a tanta urbanização que há ali”, salientou Pedro Folgado.

Os vereadores do PSD e da CDU votaram a favor, mas colocaram várias questões e os eleitos sociais-democratas responsabilizaram mesmo os sucessivos executivos de maioria PS, acusando-os de terem feito uma gestão política da situação, que, agora, desembocou num gasto mais elevado. “Consideramos que este custo podia ter sido evitado tendo em conta as características do terreno”, observou a vereadora Rosália Batista, secundada pelo seu colega de partido Frederico Rogeiro, que defendeu que todo este problema surgiu porque um antigo executivo PS decidiu classificar o espaço do campo como urbanizável no Plano Director Municipal. “Isto teve qualquer jogada por trás, eventualmente existiria o objectivo de que fosse o clube o beneficiário, mas essa classificação tornou o terreno muito mais valioso. E, provavelmente, foi isso que levou a família Pinto Barreiros a querer recuperar o terreno emprestado há muitos anos com um acordo verbal. Este milhão de euros tem responsabilidades políticas ao longo destes anos todos”, criticou Frederico Rogeiro, considerando que em 2009 poderia ter havido um acordo com custos muito mais baixos.

Também Ernesto Ferreira, vereador da CDU, considera que anteriores executivos da Câmara não geriram bem este caso. “Agora, acho que o executivo da câmara agiu bem. Não agiram bem foi quando alteraram aquele terreno para urbanizável”, concluiu.