Trabalhadores da Sacopor param por aumentos e diuturnidades

Sindicato aponta para uma adesão de 80% nos dois turnos da unidade com 42 funcionários. Fonte oficial da empresa diz que foi 60%.

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A Sacopor é uma empresa do grupo Cimpor Reuters/JOSE MANUEL RIBEIRO

Os trabalhadores da Sacopor, empresa do grupo Cimpor com instalações na Zona Industrial do Carregado, paralisaram hoje segunda-feira o seu trabalho, reclamando respostas concretas da administração ao caderno reivindicativo que entregaram a 8 de Fevereiro.

O Sindicato das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente aponta para uma adesão da ordem dos 80% nos dois turnos de uma unidade com 42 funcionários. Fonte oficial da empresa contrapõe que a adesão rondou os 60%.

A Sacopor, especializada no fabrico de sacos de papel para cimento, fornece essencialmente as fábricas do grupo Cimpor, que pertence actualmente à multinacional brasileira Intercement.

Segundo Ricardo Carvalho, dirigente sindical e funcionário da Sacopor, tem havido alguma redução nas encomendas, mas a empresa mantém um ritmo razoável de produção e tem apresentado resultados financeiros equilibrados.

O problema é que, refere, os trabalhadores sentem que não têm o mesmo tratamento de colegas de outras empresas do grupo. Considerando que os aumentos salariais dos últimos três anos têm sido “inferiores” a outras empresas do grupo, aprovaram, em plenário, um caderno reivindicativo que reclama aumentos de 4% com um mínimo de 40 euros.

“Nas cimenteiras tiveram aumentos mínimos de 25 euros. E nós aqui tivemos 1, 8%, o que dá 14/15 euros por trabalhador”, explicou Ricardo Carvalho, vincando que outro motivo de descontentamento é o facto desta empresa não praticar diuturnidades. “A maior parte das empresas do grupo tem diuturnidades e nós não temos mesmo”, sustenta, explicando que os trabalhadores esperam uma resposta que “respeite a dignidade das pessoas”.

Fonte oficial do grupo Cimpor garantiu, por seu turno, ao PÚBLICO, que os trabalhadores da empresa tiveram, este ano, um aumento de 1, 8%, igual ao de todas as outras empresas do grupo. A mesma fonte afiançou que nos últimos anos, apesar da crise no sector da construção, a Sacopor garantiu sempre aumentos salariais superiores à inflação.

Já sobre as diuturnidades, o porta-voz do grupo Cimpor alegou que cada sociedade tem o seu acordo de empresa. E que, dentro da Lei, o acordo de empresa da Sacopor não contempla diuturnidades.