“Não ganhámos nada”, diz Conceição. “Já estivemos em situações piores”, diz Vitória

Declarações dos treinadores após o clássico que voltou a deixar o FC Porto na liderança do campeonato.

Rui Vitória (treinador do Benfica)

"Muitas vezes os jogos têm um desenrolar que não dominamos. O jogo foi muito equilibrado, tivemos ascendente na primeira parte e uma ou duas oportunidades para fazer o golo. Na segunda parte, o FC Porto reagiu e cresceu. O jogo estava a ir para 0-0 e depois, com dois ressaltos, acabam por fazer o golo. Não me pareceu um resultado justo. Perdemos o jogo muito perto do final.

[Sobre a saída de Rafa e a entrada de Salvio] É evidente que não vou estar aqui a esmiuçar as questões mais tácticas. A ideia era ter uma condução de bola mais segura, estávamos a perder a bola com alguma facilidade. Naquela altura era um jogador mais fresco, [o objectivo] era dar uma nuance diferente ao jogo. Os jogadores entraram com determinação e com convicção. Caiu para o lado do Porto, podia ter caído para o nosso.

[Sobre a dependência de outros para ser campeão] Queríamos vencer e temos essa consciência. É evidente que ficam a faltar quatro jornadas. Já estivemos em situações piores, mas ainda não acabou. Já demos provas de grande resiliência e vamos disputar este campeonato até ao limite. Agora ficou diferente, voltámos a ficar atrás.

[Sobre a entrada de Samaris] A perspectiva foi atacar de forma diferente. O cansaço na zona central estava a vir ao de cima e era para ter mais robustez. Os jogadores do meio-campo tiveram uma disponibilidade grande e era essencial reforçar o meio-campo".

Sérgio Conceição (treinador do FC Porto)

"Foi um jogo equilibrado, um grande jogo. Se calhar não muito espectacular, mas muito competitivo. Na primeira parte as equipas equilibraram-se, talvez com um ascendente do Benfica, que é muito forte nas primeiras partes. A segunda parte foi nossa, é verdade que sem muitas oportunidades, mas sempre no meio-campo ofensivo. Depois há o golo e o resultado acaba por ser justo, num jogo intenso, contra uma equipa de grande qualidade e que conseguiu com mérito anular a vantagem que tínhamos há algum tempo. É também um aviso, porque não ganhámos nada.

[Sobre uma primeira parte mais cautelosa] Também foi estratégico. Sabíamos o poderio do Benfica, tem uma dinâmica muito forte e sabíamos que era importante equilibrar o jogo nesse aspecto. A base foi a coesão defensiva. Viu-se uma equipa madura, adulta. Fomos fortes, temos também uma dinâmica muito forte e foi numa dessas situações que conseguimos fazer o golo.

A justiça é vista pelos resultados. Neste momento estamos em primeiro, no passado recente tínhamos dois jogos em que tínhamos a responsabilidade de ganhar e não aconteceu. Não estou aqui com qualquer tipo de bluff. No balneário e logo no campo, a mensagem foi que não ganhámos nada. O passado recente deixa-nos alerta e desconfiados para os últimos quatro jogos.

Quando cheguei ao FC Porto, o Herrera já era capitão. Perguntei quando cheguei: ‘um mexicano capitão de equipa?’. Comecei a trabalhar com ele este ano e percebi isso pelo grande homem que é e pelo profissional fabuloso. Ficou ligado a um ou outro momento menos positivo, mas é uma pessoa extraordinária e um profissional fantástico. É um grande capitão".