The Crossing: é bom ou mau associar uma nova série a Perdidos?

TVSéries estreia mistério da ABC sobre refugiados do futuro com apenas 11 episódios garantidos e uma colagem conceptual à série de 2004. Quais são os riscos?

Fotogaleria
Steve Zahn Disney Media Distribution
Fotogaleria
Disney Media Distribution
Fotogaleria
Disney Media Distribution
Fotogaleria
Disney Media Distribution

É ou não vantajoso associar uma nova série a Perdidos? O risco está em nós, espectadores, ao começar esta nova aventura, e está também no próprio modelo televisivo que Lost representava e no qual The Crossing vem agora inscrever-se – mas nesta última década tudo mudou.

Risco número um: esta série não vem nem bem nem mal cotada dos EUA, onde se estreou no canal generalista ABC há duas semanas. Os espectadores e os críticos estão pouco entusiasmados, mas sobretudo à espera para ver. Risco número 2: só se sabe que The Crossing, que se estreia este domingo no TVSéries às 21h15, terá para já 11 episódios. Risco número 3: ao longo do primeiro episódio as referências ou ecos de séries passadas são tantos que sabemos demasiado bem em que viagem estamos a embarcar. É uma viagem sem garantias.

Quatrocentas e noventa e nove pessoas aparecem numa praia de Port Canaan, no chuvoso e sombrio estado de Washington. Só 47 estão vivas. E falam de coisas que o xerife (Steve Zahn) e as autoridades federais (Sandrine Holt) não podem perceber porque ainda não aconteceram. Esta é uma história de refugiados. Refugiados que falam a mesma língua que os seus anfitriões porque, saberemos logo, são refugiados do futuro. Lá, no futuro, há pessoas evoluídas, sem doenças e com capacidades físicas e cognitivas desenvolvidas. E planos. Parece uma série de um tempo em que, como lembra certeiramente Pilot Viruet na Variety, as séries dos canais de sinal aberto tinham um conceito com algo de sci-fi, algo de mistério e de thriller para se distinguir e agarrar milhões de espectadores.

Uma década depois, essas séries têm uma impressão digital difusa, prejudicada pelo que muitos consideraram ser o final falhado de Perdidos e pelos seus vários sucedâneos menores (Heróis, The Nine, Flashforward), mas também beneficiada pelo que alguns que fizeram Perdidos tentaram emendar em novas séries – Damon Lindelof em The  Leftovers (HBO) é o exemplo mais brilhante.

Nesta equação em que parece obsessivo olhar para uma nova série pelo prisma das suas antecessoras ou dos seus marcadores genéticos também houve Wayward  Pines ou Fringe. Mas é a própria série que se promove assim, lembrando que vem “do canal que lhe deu Perdidos”. Durará a série criada por Dan Dworkin e Jay Battie (The  Event, Surface) o tempo suficiente para se desenvolver como série de mistério serializada para além do seu aparente potencial?