Orlando Figueira quer voltar à magistratura

Ex-procurador é suspeito de corrupção na Operação Fizz e está a ser julgado.

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Rui Gaudencio

Arguido na Operação Fizz por corrupção passiva, branqueamento de capitais e falsificação de documento, o ex-procurador Orlando Figueira quer regressar à magistratura. Não para já, mas quando terminar o julgamento deste processo, cujas últimas sessões estão marcadas para Maio, já que espera ser absolvido dos crimes que lhe imputa o Ministério Público.

Segundo a acusação, o ex-vice-presidente de Angola Manuel Vicente deu-lhe dinheiro e ainda lhe arranjou emprego no sector privado como consultor, como pagamento por o magistrado ter arquivado uma investigação que tinha em mãos quando trabalhava no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), e no qual o governante angolano figurava como suspeito de branqueamento de capitais. Tratava-se de um inquérito relacionado com a compra de um apartamento de luxo no empreendimento Estoril-Sol por 3,8 milhões de euros.

Ao todo, o magistrado teria recebido luvas no valor de 760 mil euros. Mas o ex-procurador, que meteu uma licença sem vencimento de longa duração quando saiu do DCIAP, em Setembro de 2012, nega tudo. Diz que nunca esteve com Manuel Vicente, que nem sequer o conhece. E que quem lhe acenou com um emprego em Luanda não foi ele, mas sim o banqueiro angolano Carlos Silva, que acabou por nunca cumprir o prometido.

Enquanto não tenta regressar à magistratura, Orlando Figueira, que deixou de estar em prisão domiciliária no mês passado, depois de um cativeiro que durou mais de dois anos, quer voltar a exercer advocacia, como já fez quando deixou o departamento do Ministério Público que investiga a criminalidade económico-financeira mais complexa. 

A sessão do julgamento desta quinta-feira ficou ainda marcada pelas prestação de novas declarações do advogado Paulo Blanco, também arguido neste caso. Que disse que o tratamento privilegiado que teve no DCIAP o processo de Manuel Vicente se deveu a ordens nesse sentido por parte da então directora deste departamento, Cândida Almeida – algo que a própria já desmentiu.