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“Se gostar da tua cara, vou querer beijar-te e tirar uma foto”

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Jedediah Johnson começa por colocar nos lábios um batom vermelho vivo. De imediato, beija entusiasticamente a sua "presa”. Nos segundos seguintes, fotografa o rosto do “felizardo” ou “felizarda”, na esperança de fixar a sua resposta emocional. Essa diverge consoante o indivíduo: ora divertido, ora arrebatado, ora envergonhado, o sujeito tem gravado no rosto o trilho vermelho do beijo logrado — e esse é responsável pela expressão que vemos estampada nas imagens.

 

O fotógrafo norte-americano sempre sentiu uma intensa ansiedade associada ao beijo. The Makeout Project surgiu em resposta a essa fobia. “As pessoas dizem que é nojento e que faço isto apenas para obter satisfação momentânea”, confessa ao The Guardian, “o que não é inteiramente falso”, revela, bem-humorado. “Pensei, um dia, que é muito interessante a marca de batom que permanece após um beijo; é poderosa e comunicante. E, claro, conhecia também muitas pessoas que não me importaria de beijar.”

 

Começou, então, por beijar pessoas que já conhecia. Nomeadamente, mulheres atraentes. Mas não queria ser “o tipo que usa a arte como desculpa para beijar pessoas” — embora não veja nada de errado nisso. Por isso começou a beijar também outro tipo de pessoas: homens atraentes. Mas, a todos, pergunta se o pode fazer primeiro. Alguns acabaram por ensinar-lhe valiosas lições. “Nunca me tinha apercebido que durante um beijo há sempre quem dirija. Quando beijava as pessoas, eu dirigia e nem sabia que o fazia. Aconteceu quando beijei alguns homens que eles dirigiram: eu tentava mover-me em direcções diferentes e eles não me deixavam.” Existe uma dimensão erótica no projecto? “Por vezes, o beijo torna-se real; pensei, por vezes, ‘uau, isto é muito bom’ e senti que o pensamento foi mútuo, mas depois nunca sabes o que fazer. O nível de emoção envolvido torna sempre tudo mais interessante.”

 

A mão do fotógrafo, que aparece sempre do lado esquerdo da imagem, já foi interpretada como um sinal de uso de força, de controlo, mas esse tipo de acusações não incomodam o fotógrafo. “Quando tentamos apontar numa direcção, o espectador inventa sempre algo não relacionado”, desabafou ao The Guardian. Não consegue avaliar nem lhe interessa dizer se The Make Out Project se insere numa categoria de fotografia de arte ou não. Não é importante para Jedediah. Já fez mais de 100 retratos e promete prosseguir. “Ainda há muita demografia por explorar. Quero beijar pessoas muito idosas. Quero beijar toda a gente. Adoro caras e quero fotografar todas. Se gostar da tua cara, vou querer beijá-la e tirar uma fotografia.” O trabalho do fotógrafo pode ser acompanhado via instagram, através da conta @jedediah_johnson. Esta sexta-feira, 13 de Abril, assinala-se o Dia Internacional do Beijo.