Crítica

Comboio fantasma

Helen Mirren brilha num simpático mistério de casa assombrada inspirado em factos reais.

Fotogaleria
Fotogaleria
Fotogaleria
Fotogaleria

O Último Vampiro (2008) e sobretudo Predestinado (2013) já davam a entender que os manos australianos Michael e Peter Spierig eram praticantes da série B fantástica que justificavam a atenção. Agora, depois da passagem ao patamar superior com Jigsaw, o Legado de Saw (2017), ei-los de regresso à modéstia de produção que melhor os serve com este simpático “comboio-fantasma” inspirado numa verdadeira atracção californiana — a “casa assombrada” que a proprietária das espingardas Winchester mandou construir em San Jose como “expiação” dos mortos inocentes às mãos das armas que fizeram a fortuna da família. E é, literalmente, um “comboio fantasma”, porque a casa, que Sarah Winchester constantemente expandiu até à sua morte nos anos 1920, é para os Spierig um labirinto onde perder, iludir e surpreender o espectador.

Usando como pretexto uma visita de um psiquiatra contratado pelo conselho de administração para avaliar o estado de saúde mental da herdeira, A Maldição da Casa Winchester segue o tradicional processo do cepticismo (os fantasmas não existem) à crença (aquele tipo acaba de ser morto por um fantasma). A ideia não é sequer reinventar a roda, apenas fornecer duas horas de entretenimento sobrenatural eficaz e desenvolto, com a ajuda preciosa de um elenco que joga o jogo com desportivismo, propulsionado por um sólido Jason Clarke mas elevado por uma Helen Mirren que, só pela sua presença, consegue impôr a gravidade de que o filme precisa. Os fãs do género, entre os quais nos incluímos, não sairão defraudados, mesmo que A Maldição da Casa Winchester não pareça, à primeira vista, ser o filme mais inspirado dos Spierig.