Mulher de activista desaparecido detida em prisão domiciliária por exigir respostas

Li Wenzu foi detida quando protestava pelo desaparecimento do marido Wang Quanzhang, um advogado dos direitos humanos que desapareceu em Agosto de 2015.

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Um protesto teve lugar em Hong Kong para exigir a libertação de Li Wenzu e do seu marido Reuters/STAFF
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Li Wenzu foi detida quando exigia respostas sobre o desaparecimento do marido, o advogado e activista dos direitos humanos Wang Quanzhang Reuters/DAMIR SAGOLJ

As autoridades chinesas colocaram em prisão domiciliária, esta terça-feira, a mulher do advogado, conhecido como defensor de activistas dos direitos humanos, Wang Quanzhang, desaparecido desde 2015. Li Wenzu foi detida a meio de uma marcha de protesto que tinha organizado pelo desaparecimento do marido.

Polícias à paisana terão interrompido o protesto no sétimo dia de marcha, e levado a mulher para a sua casa em Pequim. "Li Wenzu foi mantida em prisão domiciliária, com a segurança do Estado a bloquear a porta", disse à Reuters Wang Qjaoling, uma amiga de Li, cujo marido é também advogado dos direitos humanos. A mulher do activista planeava finalizar uma marcha de 100 quilómetros, desde Pequim até à cidade de Tianjin – onde acredita que o marido poderá estar detido – como forma de protesto para assinalar os mais de 1000 dias sem notícias sobre o seu paradeiro e exigir uma explicação para o desaparecimento.

Wang esteve à frente de processos sobre acusações de alegada tortura por parte das autoridades chinesas e defendeu praticantes do Falun Gong – um movimento espiritual banido pelo governo chinês. O advogado desapareceu no Verão de 2015, um período que ficou marcado por uma onda de repressão levada a cabo pelas autoridades chinesas contra advogados e activistas dos direitos humanos, de acordo com o jornal britânico Guardian.

Segundo a Reuters, imagens de vídeos enviadas nesta quarta-feira à agência noticiosa mostram os apoiantes de Li a serem insultados e impedidos de filmar pelas autoridades, durante um protesto com cerca de 30 pessoas em frente ao apartamento onde está mantida em prisão. "O meu marido está preso há mais de 1000 dias e eu não sei sequer se ele está vivo ou morto", disse Li Wenzu, a partir da varanda durante uma das filmagens.

Nos últimos anos, o Presidente chinês Xi Jinping tem reunido esforços para reprimir o activismo político. Kwok Ka-ki, membro parlamentar do Partido Cívico em Hong Kong, afirmou que a detenção do casal foi uma forma de o governo mostrar a mão de ferro que impera no país. Durante uma manifestação na terça-feira à porta do Gabinete de Representação do Partido Comunista Chinês em Hong Kong, Kwok Ka-ki questionou ainda "que tipo de lei permite a um país deter um advogado de direitos humanos sem nenhuma razão óbvia", segundo a Reuters.

De acordo com a emissora privada Rádio Ásia Livre, o activista dos direitos humanos e antigo membro parlamentar Leung Kwok-hung comparou este caso ao de Liu Xia, que desapareceu após a morte do marido, Liu Xiaobo, e que estará também em prisão domiciliária desde 2010, na mesma altura em que Liu foi premiado com o Nobel da Paz. 

Texto editado por Maria Paula Barreiros