De Guimarães para o mundo, o Westway Lab quer ser a montra da música nacional rumo à exportação

Depois de semanas de grande efervescência nos bastidores, começa esta quarta-feira a quinta edição do Westway Lab, “a maior e mais internacional” de todas. Até sábado, uma agenda cheia de concertos e conferências espera cem agentes internacionais.

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Paulo Pimenta
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O músico português Mister Roland está numa sala do Centro de Criação de Candoso, em Guimarães, com a multi-instrumentista francesa Laure Briard, em pleno processo de composição. Afinam dois temas para um alinhamento de cerca de 40 minutos ainda em progresso que desde segunda-feira da semana passada está a ser criado pelos dois. Pedem-se as notas musicais para que não se entre fora de tom e discutem-se alguns pormenores, enquanto cada um dos músicos vai trocando de instrumentos.

Não são os únicos nesta antiga escola primária da freguesia de São Martinho de Candoso, a 15 minutos do centro de Guimarães, que em 2012 foi transformada num centro de residências artísticas. Fazem parte de um grupo formado por mais três parelhas constituídas por músicos nacionais e internacionais: a norte-americana Vita faz dupla com os :papercutz, o vimaranense Ana uniu forças com as francesas Perkins Sisters, O Gajo divide a composição com os austríacos Cari Cari. Estas reuniões entre músicos acontecem neste espaço pelo quinto ano consecutivo, dando o tiro de partida para mais uma edição do Westway Lab, que a partir desta quarta-feira e até sábado transformará Guimarães num fórum de porta aberta para o mundo, em prol do estreitamento de relações entre a indústria musical nacional e os mercados internacionais.

No início da semana passada, quando esta residência artística começou, Mister Roland ainda compunha sozinho. Laure Briard só se juntou a meio da semana. Não foi um problema. As novas tecnologias permitem que o trabalho possa ser adiantado à distância.

O mesmo fez O Gajo, nome pelo qual João Moreira – há 30 anos nos meandros do punk rock com bandas como Gazua, Corrosão Caótica ou Carbon H – responde desde que mais recentemente tropeçou no Alentejo numa viola campaniça. O acidente desencadeou uma viragem radical no percurso do guitarrista, materializado no primeiro trabalho sob a nova designação, Longe do Chão, que remete para um encontro com a portugalidade.

Ainda sem os Cari Cari em Guimarães, mostra-nos os primeiros esboços dos temas trocados entre as duas partes graças às maravilhas da Internet. Foi assim que trabalhou até os austríacos chegarem. São mundos sonoros distintos, mas que se cruzam na perfeição. Há um ponto em comum: as paisagens sonoras criadas pelas duas partes sugerem um lado muito visual de sensações que transportam o ouvinte para paragens áridas e desérticas. Um instrumento tradicional tão marcado pela geografia de origem como a campaniça revela-se ideal para servir a atmosfera próxima do country-rock criada pela banda austríaca.

Até quarta-feira, dia em que as duas primeiras parelhas se apresentam ao vivo no Café Concerto do Centro Cultural Vila Flor (CCVF), estará tudo pronto, assegura o músico que pela primeira vez teve a oportunidade de se concentrar a cem por cento (“quase” 24 horas de todos os dias de uma semana) apenas e só ao processo criativo. As residências artísticas decorreram entre 2 e 10 de Abril. Na abertura do Westway Lab, esta dupla e a parelha Ana/Perkins Sisters passam para o público o trabalho desenvolvido. Encerram a noite os Dope Calypso, de Budapeste.

No dia seguinte será a vez de Mister Roland/Laure Briard e Vita/:papercutz o fazerem, sucedidos pela actuação dos eslovenos Bowrain. Tem sido nos “desencontros” que esta última dupla se tem encontrado no que toca ao processo criativo. Diz-nos a norte-americana que prefere compor durante o dia. Já Bruno Miguel, dos :papercutz, encontra a inspiração durante a noite. Nada que impeça a fruição na composição e a sintonia entre as duas partes, asseguram ao PÚBLICO.

“Maior e mais internacional”

O trabalho desenvolvido nas residências artísticas que precederam o festival é apenas uma pequena parte da agenda global do Westway Lab. Durante quatro dias, muito mais acontece além das criações que tiveram a sua gestação no Candoso e dos 28 concertos marcados com nomes emergentes e já consolidados como Manel Cruz, Gobi Bear, Toulouse, Stereossauro, Isaura, Omiri, Moonshiners ou Dear Telephone, todos nacionais, ou os japoneses Stereociti e os austríacos Avec, Molly, Leyya. É uma novidade da edição deste ano: pela primeira vez, fruto da integração do festival na rede INES – Innovation Network of European Showcases, composta por outros sete festivais (o Liverpool Sound City, o polaco Spring Break, a Monkey Week de Sevilha, o MENT da Eslovénia, o Sonic Visions do Luxemburgo, o Live at Heart da Suécia e o Waves Vienna), há um país em destaque no Westway Lab, a Áustria. Seguindo a lógica de intercâmbio, Portugal será o país em foco em Viena, no Waves.

Explica-nos Rui Torrinha, director artístico da cooperativa Oficina, responsável pela programação do festival, que esta parceria reforça a relação com a Europa. “Todos os anos criamos uma lista com músicos portugueses para os nossos parceiros poderem escolher e programar nos seus festivais”, acrescenta.

É essencialmente para que estas portas se abram que diz ter sido criado este festival que, além dos concertos, conta com conferências, showcases e conversas em vários pontos da cidade, envolvendo agentes ligados à indústria da música. Tendo como base o CCVF, as actividades alargam-se a espaços como o Centro Internacional das Artes José de Guimarães, o Paço dos Duques de Bragança, o Bar da Ramada e os restaurantes Cor de Tangerina e Tio Júlio. Este ano, na “maior e mais internacional edição de sempre” do Westway, o dispositivo internacional conta com cerca de uma de centena de participantes, entre agentes, managers, programadores e músicos, de países como Áustria, França, Hungria, Eslovénia, Letónia, Japão e Estados Unidos.

“É muito diferente ir a um mercado saturado num grande festival onde se passa despercebido ou vir aqui. Esta é uma montra com maior amplitude. Queremos ser mais do que essa banca de um festival. Este espírito tem gerado uma série de relações”, diz o responsável pelo evento, que dá os We Bless This Mess, os Phila e os Omiri como exemplos de casos que a partir do Westway Lab deram o passo para a internacionalização.