Exército israelita diz que está a analisar morte de jornalista palestiniano

Mesmo identificado com colete a dizer "Press", fotojornalista foi morto por snipers militares. Vários outros repórteres ficaram feridos na repressão das manifestações junto à fronteira.

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Yasser Murtaja, quando foi baleado, na sexta-feira Ibraheem Abu/REUTERS
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Protesto de jornalistas em Gaza contra a morte de Yasser Murtaja Ibraheem Abu Mustafa/REUTERS

O exército israelita disse estar a analisar a morte do fotojornalista palestiniano Yasser Murtaja, baleado na sexta-feira junto à fronteira de Gaza com Israel, quando usava um colete que claramente identificava a sua profissão e cobria a repressão violenta feita pelos militares aos protestos da Marcha do Retorno palestiniana. “As Forças de Defesa de Israel não disparam intencionalmente contra jornalistas”, afirma o exército, numa declaração citada pelo site Ynetnews, do jornal Yedioth Ahronoth.

Nessa sexta-feira em que pelo menos nove palestinianos foram mortos por snipers israelitas, que têm ordem para disparar com balas reais, os manifestantes tinham montado uma acção concertada para queimar pneus. O objectivo era produzir uma cortina de fumo espessa que cegasse a pontaria dos soldados. Pelo menos cinco jornalistas ficaram feridos pelos tiros dos militares, segundo o Sindicato dos Jornalistas Palestinianos, citado pelo Washington Post. Todos estavam claramente identificados como tal.

“O alvo era claramente os jornalistas”, disse à AFP Motazem Murtaja, irmão do repórter assassinado, que também estava na manifestação. Yasser Murtaja tinha um capacete e um colete de protecção. Mas a bala ainda assim entrou pela lateral e o que parecia ser um pequeno ferimento revelou-se fatal.

Murtaja, de 31 anos, casado e com um filho de dois anos, foi um dos fundadores da pequena agência de Gaza Ain Media, que trabalhou para clientes estrangeiros como a BBC e a Al-Jazira em inglês. Foi um dos primeiros jornalistas a usar câmaras em drones em Gaza. Mas nunca tinha saído daquele território.

Centenas de pessoas participaram no seu funeral. O corpo foi coberto com uma bandeira palestiniana e com o colete com as palavras “Press” que usava quando foi morto, e assim o cortejo funerário desfilou pela Cidade de Gaza.