Crónica de jogo

Jogadores 1, Bruno Carvalho 0

Sporting derrotou o Paços de Ferreira sem dificuldades numa partida em que os adeptos aplaudiram a equipa e apuparam o presidente.
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Jogadores do Sporting festejam um golo LUSA/MIGUEL A. LOPES

Bruno de Carvalho saiu neste domingo do banco de suplentes de Alvalade com dificuldades em andar, no final de uma partida em que o conjunto “leonino” bateu o Paços de Ferreira, por 2-0, mantendo as distâncias para os lugares cimeiros da classificação da Liga. Não se sabe o que sucedeu exactamente ao presidente do Sporting, que horas antes do encontro publicou um comunicado no qual reiterava críticas aos jogadores, mantendo a intenção de colocar sobre a alçada disciplinar os 18 que o criticaram publicamente. O que não oferece dúvidas é que, apesar da vitória da equipa, a sua noite foi aziaga e não apenas por motivos físicos.

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Se os 41 mil espectadores que se deslocaram ao estádio para assistir à partida servirem de barómetro para avaliar o estado de espírito da massa associativa e adepta do clube em relação à crise que estalou esta semana na família “leonina”, Bruno de Carvalho está a perder o braço-de-ferro com a equipa. O próprio presidente do Sporting o comprovou quando, corajosamente, se sentou no banco e foi brindado com uma chuva de assobios e alguns lenços brancos, que se repetiram ao intervalo e no final.

Os jogadores, pelo contrário, mereceram aplausos e palavras de incentivo da maioria das bancadas, exceptuando da zona reservada à Juventude Leonina. Antes do apito inicial, a claque mostrou uma tarja crítica: “Jogadores: amar e sentir o clube. Tudo o que vocês não sentem.”

Na partida propriamente dita, a recente crise não causou mossa aos futebolistas da casa, ou pelo menos estes não o demonstraram. Frente a um adversário que está a atravessar uma boa fase, tendo inclusivamente derrotado o FC Porto em casa (1-0), o Sporting mostrou serenidade, concentração e paciência para impor os seus argumentos.

Mesmo sem uma exibição de encher o olho, o conjunto de Jorge Jesus, esteve sempre acima do Paços. Não foi exactamente dominador, mas controlou o encontro para evitar surpresas, especialmente depois de ter inaugurado o marcador, aos 20’.

Um cruzamento da esquerda de Bryan Ruiz, um toque subtil de cabeça de Bruno Fernandes e outro cabeceamento do incontornável Bas Dost para as redes. O 24.º golo do ponta-de-lança holandês no campeonato tranquilizou a equipa.

O Paços de Ferreira defendia bem (apesar da passividade no primeiro golo), com as suas linhas muito próximas, criava dificuldades à construção dos lisboetas, dividia a posse de bola e até conseguia algumas transições ofensivas esporádicas, mas nunca representou grande perigo para a baliza defendida por Rui Patrício.

A perder ao intervalo, os “castores” tiveram de arriscar mais e o Sporting aproveitou para lançar contra-ataques venenosos e passou a ter mais espaço para organizar o seu jogo ofensivo. Depois de quatro ameaças (três delas consecutivas, aos 52’), os “leões” conseguiam mesmo ampliar a vantagem, numa grande jogada inventada por Gelson Martins, aos 65’.

O extremo roubou uma bola à defesa contrária, combinou com Bruno Fernandes e fez um passe atrasado que Bryan Ruiz concluiu com o segundo golo. Os festejos dos jogadores foram efusivos, mas bem longe do banco onde estava Bruno de Carvalho.

O resultado estava selado e o encontro, apesar das reacções das bancadas, acabou por ser uma espécie de anticlímax face aos acontecimentos que a antecederam. Com a ameaça dos castigos aos jogadores contestatários a pairar resta agora saber o ambiente que Jesus terá no balneário para preparar a recepção ao Atlético de Madrid. Os “leões” vão entrar com uma desvantagem de dois golos na segunda mão dos quartos-de-final da Liga Europa, na próxima quinta-feira.

Para já, o comportamento da equipa foi profissional e agradou os adeptos. Estes poderão ser definitivamente conquistados se os jogadores conseguirem inverter a sua sorte na segunda competição da UEFA ou, pelo menos, se derem melhor réplica do que aquela que ofereceram na capital espanhola. O treinador confessou no final do jogo que nunca passou por nada idêntico e disse ter estado sempre do lado dos seus atletas.