Laboratório da Universidade de Évora investigado por análises à qualidade da água de Sines

Depois de um derrame de fuelóleo, em 2016, os resultados das análises à qualidade da água do mar feitas pela Universidade de Évora e do Instituto Hidrográfico foram muito diferentes: um deles não apresentava poluição, o outro sim.

O acidente aconteceu no Porto de Sines
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O acidente aconteceu no Porto de Sines Daniel Rocha

O Ministério Público de Setúbal está a investigar o Laboratório de Ciências do Mar (CIEMAR) da Universidade de Évora por suspeitas de ter falseado os resultados de um estudo à qualidade da água do Porto de Sines, no rescaldo de um derrame de 30 toneladas fuelóleo, noticia o Jornal de Notícias na edição desta sexta-feira. Estudos do CIEMAR declaravam níveis de poluição dentro da lei, mas uma análise posterior, desta vez pelo Instituto Hidrográfico de Lisboa, revelou um resultado diferente.

Depois de análises superficiais à água do mar, o CIEMAR, financiado pelo Porto de Sines, declarou que não havia poluição resultante do derrame de fuelóleo do navio MCS Patricia, em Outubro de 2016. Os resultados da análise atribuíam ainda parte da responsabilidade dos valores registados aos trabalhos de limpeza, escreve o jornal.

Em Fevereiro, o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) pediu novos estudos ao Instituto Hidrográfico de Lisboa, desta vez com amostras recolhidas pelo Ministério Público para saber se havia algum componente na água que pudesse ser imputado ao derrame. Os resultados foram muito diferentes: os níveis de naftaleno estavam mais de duas mil vezes superiores ao estabelecido pela Norma de Qualidade Ambiental. As conclusões foram incluídas na acusação à MSC, naquele que é o primeiro julgamento de poluição com perigo comum em Portugal.

O Ministério Público pediu, então, à Polícia Marítima uma investigação? para perceber a origem dos resultados. A Polícia Marítima percebeu que as amostras da CIEMAR tinham sido recolhidas a 50 centímetros do plano de água, evitando o produto poluente, em vez de serem recolhidas à superfície. É que o fuelóleo não se mistura com a água e a 50 centímetros de profundidade já quase não havia fuelóleo.

Ouvida pelo JN, a CIEMAR defende-se dizendo que a metodologia é usada desde 1997 e que o Instituto Hidrográfico não fez análises a água mas sim o fuelóleo e por isso não se pode comparar estes resultados aos da “norma de qualidade”.

Já a Administração do Porto de Sines disse ao JN que a “Polícia Marítima procedeu à recolha de produto derramado (fuelóleo) e o CIEMAR à recolha de água” portanto “seria muito estranho, ou grave, se os resultados fossem coincidentes ou semelhantes”.