Orlando Figueira apresenta queixa-crime contra Proença de Carvalho

Em causa estão as afirmações que o advogado fez esta quinta-feira no Campus da Justiça.

Orlando Figueira à chegada do tribunal
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Orlando Figueira à chegada do tribunal LUSA/MÁRIO CRUZ

O ex-procurador Orlando Figueira, arguido da operação Fizz por suspeitas de ter sido corrompido pelo antigo vice-presidente de Angola Manuel Vicente, vai apresentar uma queixa-crime contra o advogado Daniel Proença de Carvalho por falsas declarações em tribunal.

Em causa estão as afirmações que o advogado fez esta quinta-feira no Campus da Justiça, em Lisboa, na qualidade de testemunha do julgamento, e que entram em contradição com a versão que o arguido apresenta relativamente ao papel do primeiro na sua rescisão do contrato de trabalho que tinha com a firma angolana Primagest.

Enquanto Orlando Figueira diz que Proença de Carvalho representava de forma inequívoca os interesses do banqueiro Carlos Silva nessa rescisão contratual, o advogado assegura que assim não era - até porque garante que o magistrado nunca lhe disse ter sido este banqueiro angolano quem o contratou. "Alguém está a mentir. Ou eu ou Proença de Carvalho", exaltou-se a certa altura Orlando Figueira, durante uma acareação com o advogado destinada a apurar qual das duas versões estaria mais próxima da verdade. Foi, porém, um esforço inútil: arguido e testemunha mantiveram-se cada um na sua, com Proença de Carvalho impassível perante as tentativas do antigo magistrado para o desmentir.

Mas mais do que o papel desempenhado pelo banqueiro angolano em toda a Operação Fizz, o processo judicial por falsas declarações que Orlando Figueira vai mover ao advogado baseia-se sobretudo nas alusões que este fez em tribunal ao juiz Carlos Alexandre, que é amigo do magistrado. Quando Orlando Figueira descobriu que estava a ser investigado pelos seus ex-colegas por suspeitas de ter sido corrompido, disse-lhe que o facto de poder contar com esta amizade jogava a seu favor, relatou Proença de Carvalho. Falsas serão ainda, na perspectiva do arguido, as declarações do advogado segundo as quais ele lhe terá confidenciado conhecer detalhes da investigação por corrupção de que estava a ser alvo mas de que não tinha sido ainda notificado pelas autoridades, supostamente por essa informação em segredo de justiça lhe ter sido passada de forma ilegal por ex-colegas seus do Departamento Central de Investigação e Acção Penal.