Crónica de jogo

Com erros como estes não há Jesus que valha ao Sporting

Nem o Atlético de Madrid esperaria pelos brindes dos centrais do Sporting para deixar encaminhada a passagem às meias-finais da Liga Europa. Coates e Mathieu falharam, Koke e Griezmann marcaram.

Nem Jorge Jesus acreditou que seria traído pelos seus experientes centrais.
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Nem Jorge Jesus acreditou que seria traído pelos seus experientes centrais. Reuters/SERGIO PEREZ

Com os dois primeiros lugares do campeonato nacional distantes, sobrava ao Sporting lutar pela Liga Europa, onde o título lhe poderá valer a tão desejada entrada directa na próxima edição da Liga dos Campeões. O Atlético de Madrid não era o adversário desejado nestes quartos-de-final, mas pedia-se mais aos jogadores “leoninos” nesta deslocação à capital espanhola. Ou, pelo menos, que não entregassem de bandeja o triunfo, comprometendo bastante a sua continuidade em prova. Duas falhas arrepiantes da defesa valeram os dois golos sem resposta à equipa da casa. E nem a visita matinal de Cristiano Ronaldo à sua ex-equipa ajudou os lisboetas a agigantarem-se.

Foram precisos apenas 23 segundos para o Sporting fazer história no Estádio Metropolitano, em Madrid. Não aquela que desejaria, mas uma bem menos memorável, que ficará nos anais como o golo mais rápido sofrido nas competições europeias pelo “leões”, após um erro monumental de Coates. Só que a noite negra dos centrais “leoninos” não terminou aí, com Mathieu a ser solidário com o seu companheiro e a permitir o segundo golo do Atlético de Madrid ainda antes do intervalo.

Nem Jorge Jesus, que já foi conhecido como o “mestre da estratégia”, poderia antecipar o brinde que a sua equipa deu na primeira parte ainda com os adeptos a acomodarem-se nas bancadas. A partir desse fatídico momento o que quer que tenha sido preparado pelo treinador português caiu por terra e passou-se para o plano B. O Sporting era obrigado a assumir a iniciativa perante uma equipa que tem no contra-ataque uma das armas mais letais.

Regressemos ao golo madrugador do encontro. Sem grande pressão, Coates procurou trocar a bola com Mathieu mas o passe, sem força, foi interceptado por Diego Costa, o internacional espanhol assistiu Koke e o marcador mexeu. Aos 40’, o experiente Mathieu não fez melhor, ao falhar uma intercepção, deixando a bola no mortífero Griezmann que voltou a bater Rui Patrício.

Pelo meio, os “leões” pegaram na partida, tiveram mais posse de bola, até controlaram o meio-campo mas, sem grande dinâmica, construíram apenas duas oportunidades dignas de registo. Bas Dost, assistido por Piccini, na direita, cabeceou ao lado; Gelson Martins isolou-se perante Oblak, mas acabou por rematar fraco permitindo a defesa do ex-guarda-redes benfiquista.

O panorama não era famoso para os lisboetas quando o árbitro deu por encerrada a primeira metade. Até porque o regressado William Carvalho ressentiu-se de uma curta paragem por lesão, não suportou o desgaste físico e foi rendido em cima dos 45’ por Acuña. Ele que estava a ser um dos mais influentes na manobra da equipa portuguesa até então.

Se Jesus terá dado um puxão de orelhas aos seus centrais ao intervalo não se sabe, mas o que quer que tenha acontecido nos balneários não influenciou muito a exibição no "miolo" defensivo. Logo aos 48’, também Coates falhou uma intercepção que parecia fácil, deixando a bola ao alcance de Diego Costa. Valeu Rui Patrício desta vez, que roubou literalmente o golo ao brasileiro, naturalizado espanhol.

O moral dos “leões” também não era o melhor, não conseguindo manter a lucidez que foi apresentando entre os dois golos do Atlético. Pelo contrário, era a equipa de Madrid que procurava o terceiro para sentenciar a eliminatória. Foi valendo o “santo” Patrício para o evitar e deixar uma ténue esperança para a partida da segunda mão, dentro de uma semana, em Alvalade. Mesmo assim, em cima dos 90’, Bryan Ruiz e Montero ainda falharam, incrivelmente, o golo que poderia fazer toda a diferença na eliminatória.

Não há impossíveis no futebol, mas a experiência europeia do Atlético não deixa lugar a grandes optimismos. Uma coisa é certa, em Lisboa (mesmo sem Bas Dost e Coentrão, castigados) terá de ressurgir o melhor “leão” da temporada ou, pelo menos, mais perto daquele que defrontou o Barcelona ou a Juventus na fase de grupos da Champions.