Tony Gentile/Reuters
Foto
Tony Gentile/Reuters

Megafone

Querida Ryanair, aqui mandamos nós

Neste mês de Abril, mês da liberdade, do qual emergiu uma das maiores conquistas da revolução, o direito à greve, estes tripulantes lembram-nos que nada pode ser dado como garantido

Os trabalhadores portugueses desta multinacional irlandesa estão a levar a cabo uma luta histórica pelos seus direitos, pelo direito à dignidade no trabalho e ao respeito pela sua condição. Têm sido noticiados atropelos à lei, pressões por parte do patronato e um desrespeito total pelo direito à greve. É, sem dúvida alguma, um momento onde os sindicatos medem forças com este gigante dos ares e parece-me que estão a ganhar.

Se é certo que a Ryanair é uma empresa que desenvolve um importante papel na nossa economia, principalmente no que toca ao turismo, também não é descabido que tenha de respeitar as nossas leis e principalmente os seus trabalhadores. Esta greve resulta de um deteriorar das condições de trabalho e do facto desta multinacional não aceitar aplicar a lei portuguesa, como sendo a Constituição ou o Código do Trabalho, o que constitui uma atitude arrogante de quem vem cá ganhar os seus milhões, mas não pretende olhar a meios para justificar os seus fins, que no fim de contas é o lucro e só o lucro.

Para trás ficam estes tripulantes de cabine que com a desregulação de horários, baixos salários e pressões no seio da empresa se vêem forçados a tomar uma posição de força perante aquela que os violenta no seu contexto de trabalho. É de todos conhecido o telefonema feito a uma tripulante espanhola para que esta substituísse uma grevista, desta feita portuguesa, e não nos podemos conformar com frases como “A decisão é sua, terá de lidar com as consequências legais" ou “Assim é provável que não venha a ser promovida”. Perante o desconforto da comissária de bordo espanhola, a empresa pressiona e ameaça com consequências legais, pelo facto de esta se recusar a fazer algo ilegal, ou seja, substituir uma trabalhadora que se encontra em greve.

Neste mês de Abril, mês da liberdade, do qual emergiu uma das maiores conquistas da revolução, o direito à greve, estes tripulantes lembram-nos que nada pode ser dado como garantido, que a todo o momento há quem nos venha relembrar que não podemos baixar as armas, pois quando o fazemos estamos a permitir que nos roubem aquilo que tanto nos custou a conquistar. A Ryanair não pode estar a cima da lei e tem de sofrer as consequências legais decorrente destas violações constantes. Mais do que isso: como português com brio, espero que estes trabalhadores ganhem. Será uma vitória de todos nós.