Crítica

A discreta burguesia do charme

Uma comédia de enganos e equívocos que sobre as relações de classes tem pouco mais a propor do que um vago moralismo desprovido de qualquer veneno.

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Um mar de estereótipos sobre classes, sobre Paris, sobre “os americanos”... ninguém leva muito de Madame,Um mar de estereótipos sobre classes, sobre Paris, sobre “os americanos”... ninguém leva muito de Madame
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Um casal americano endinheirado muda-se para Paris, cheio de vontade de impressionar a alta burguesia europeia. Por causa de uma superstição (evitar que sejam 13 pessoas à mesa de jantar), fazem a criada (a almodovariana Rossy de Palma) passar por aristocrata espanhola, e zás!, eis que um rico coleccionador de arte se tomba de amores pela suposta nobre.

A partir daqui é uma comédia de enganos e equívocos, que sobre as relações de classes tem pouco mais a propor do que um vago moralismo desprovido de qualquer veneno.

A exuberância de Rossy, a interpretar personagem sobre personagem, é a coisa digna de nota num filme convencional e desinspirado, que depressa se deposita nas mãos dos actores, à espera que deles venha toda a graça. Mas até Harvey Keitel e Toni Collette parecem singularmente pobres e manietados, como náufragos num mar de estereótipos sobre classes, sobre Paris, sobre “os americanos”… Ninguém leva muito que contar daqui.