Os milhões atirados à Fontana di Trevi vão para a Cáritas. Mas isso pode acabar

As moedas que são diariamente tiradas da fonte já serviram para financiar vários projectos contra a exclusão social, apoiando os sem-abrigos e os mais carenciados. Agora, a gestão deste dinheiro poderá passar para as mãos da autarquia de Roma.

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A Fontana di Trevi recebe mais de 450 mil visitas por mês Tony Gentile/REUTERS

A tradição vai-se cumprindo: todos os dias, há turistas em Roma que, de costas voltadas e olhos fechados, atiram moedas para a Fontana di Trevi enquanto pedem um desejo. E desejo a desejo, a fortuna vai-se acumulando: nas águas do monumento turístico já ficaram amealhados alguns milhões de euros, fortunas essas que são desde 2001 doadas à Cáritas local para acções de solidariedade. Só que agora o município de Roma quer que o dinheiro seja aplicado de outra forma, conta o El País.

Todos os dias de madrugada, um grupo de funcionários da autarquia da capital italiana recolhe com um aspirador as moedas que foram atiradas durante o dia para a fonte. Segundo dados da instituição de solidariedade, só em 2016 foi recolhido mais de um milhão e meio de euros.

Apesar da intenção de Roma, a Cáritas continuará a receber estas receitas vindas dos desejos dos turistas até ao final deste ano. Até lá, um grupo de trabalho da autarquia tem-se reunido, incluindo a Cáritas na discussão, para decidir qual o melhor uso a dar ao dinheiro atirado à fonte — e não fazem nenhuma declaração até que haja uma decisão final.

Os fundos recolhidos do fundo da fonte já foram até hoje utilizados na compra e recolha de camas e cobertores para pessoas sem-abrigo, refeições e produtos para os mais carenciados – o dinheiro acaba por ser usado na capital italiana para combater a exclusão social, argumenta a instituição.

A Fontana di Trevi é uma das atracções mais populares da cidade, recebendo cerca de 450 mil visitas por mês.