Investidores "só estão a fazer negócio e o que a lei lhes permite"

Associação de Empresas de Mediação Imobiliária diz que moradores podem ser "condignamente" compensados para saírem das suas casas.

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JOAO GUILHERME

As cidades foram renovadas exclusivamente à custa do investimento privado quando devia ter sido investimento público, diz Luís Lima. Na perspectiva do presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), “o alojamento local foi o grande motor da vinda de investimento estrangeiro e de se renovarem os centros das cidades.” Isso tem um lado negativo, acrescenta. “Esses activos valorizaram e os portugueses dificilmente os conseguem aguentar. Neste momento, a pressão para uns e para os outros saírem é grande.”

Mas defende o ponto de vista do investidor: “Quem investe, vai aproveitar o que dá mais negócio. Eu não critico os proprietários se fazem disso um negócio e agem de acordo com o que a lei lhes permite. O Estado é que tem que fazer alguma coisa para atenuar isso. O Estado central ou as autarquias.”

Como? “Através de incentivos fiscais para os proprietários sentirem que o mercado do arrendamento é um negócio mais atractivo. Só o Estado é que pode colocar activos a preços que os cidadãos locais possam pagar. E acho bem que o faça porque tem dinheiro para tal. A receita fiscal do imobiliário é enorme.”

No cenário actual, “são praticamente só estrangeiros que colocam as casas para alojamento local”, diz. “Também há apartamentos de luxo. Mas poucos: em cada 20, são três ou quatro.” Sobre a saída quase forçada dos moradores tradicionais, diz que as pessoas podem ser indemnizadas condignamente”. E aos que não aceitam sair e ser indemnizado responde – “O arrendatário também tem que se convencer que a casa não é dele.” No fim, deixa uma pergunta: “Os proprietários têm que ser agentes sociais?”