Rússia manda Londres reduzir embaixada em Moscovo em 50 pessoas

Guerra diplomática continua. Kremlin quer saber porque é que avião da Aeroflot foi alvo de buscas no aeroporto de Heathrow.

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Consulado americano em São Petersburgo terá de encerrar, em resultado da retaliação de Moscovo ANATOLY MALTSEV/EPA

A Rússia avisou o Reino Unido que tem de cortar mais 50 elementos ao pessoal diplomático da sua embaixada em Moscovo, para ter um número idêntico de funcionários ao da representação russa em Londres. É mais um grau na escalada de más relações entre os dois países, após a acusação britânica que a Rússia está por trás do ataque com uma arma química contra o ex-espião russo Sergei Skripal e a sua filha, que vivem há anos no Reino Unido.

Na quinta e na sexta-feira, Moscovo anunciou uma série de expulsões de diplomatas de 23 países que tinham expulsado também representantes russos, por solidariedade com o Reino Unido. Cerca de 150 diplomatas russos foram mandados sair de vários países, incluindo 23 de Londres e 60 dos Estados Unidos, como retaliação do envenenamento dos Skripal com Novichok – um agente químico neurotóxico produzido apenas pela Russia. No total, 171 russos vão deixar os EUA, contando com os diplomatas e os seus familiares, diz a Reuters.

O Governo de Moscovo está ainda a pedir esclarecimentos a Londres sobre as buscas feitas na sexta-feira no aeroporto londrino de Heathrow, num avião da Aeroflot, a companhia aérea russa. “Se não houver explicações, a Rússia vai classificar as acções nos nossos aviões como ilegais e reservar o direito de agir de igual forma contra companhias de aviação britânicas”, dizia uma declaração do Ministério dos Transportes russo, que considerou o acto “uma provocação descarada”.

O executivo de Londres respondeu que se tratou de uma operação de segurança rotineira. “É de rotina [para a agência de segurança fronteiriça britânica] fazer buscas em aviões para proteger o Reino Unido do crime organizado e daqueles que tentam trazer para o país substâncias perigosas, como drogas, ou armas de fogo”, disse o secretário de Estado para a Segurança Ben Wallace, num comunicado citado pela Reuters. “Depois de estas verificações terem sido realizadas, o avião pôde prosseguir a sua viagem.”