Crimes informáticos aumentam 21,8%

No ano passado registaram-se mais 175 casos de crimes informáticos.

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Paulo Pimenta

A criminalidade informática e praticada com recurso a tecnologia informática mantém a tendência de subida. No ano passado registaram-se mais 175 casos de crimes informáticos (de 801 casos em 2016 o registo das autoridades passou para 976 casos em 2017), o que corresponde ao aumento de 21,8% face a 2016, segundo os dados do Relatório Anual de Segurança Interna de 2017. 

Entre este tipo de crime destacou-se o aumento do acesso ilegítimo ou indevido (21%), devassa por meio informático (16%), falsidade informática (16%) e sabotagem informática (27%). Por estes crimes, 76 pessoas foram constituídas arguidas, mais nove que no ano passado.

De resto, ainda que com tendência para diminuição, continuam a ser as burlas informáticas e de telecomunicações a liderar este campeonato. As mais de oito mil participações associadas a este tipo de crime deram origem 367 arguidos.

Diminuíram, por outro lado, em 39% os crimes de pornografia de menores, crime pelo qual foram detidas 37 pessoas.

Nesta matéria de criminalidade informática e cibercrime, a Polícia Judiciária (PJ) prevê um aumento das ameaças cibernéticas (as chamadas ameaçadas persistentes avançadas), como é exemplo a espionagem via Internet, e do branqueamento de capitais usando moedas virtuais, contas bancárias e cartões virtuais. Estima ainda vir a encontrar mais casos de interligação de botnets (rede de computadores onde estão instalados softwares bots – que permitem ao hacker obter controle remoto), malware bancário (que pode, por exemplo, ser um vírus) e campanhas de extorsão com base em programas maliciosos.

As preocupações da PJ prendem-se ainda com as empresas, entidades ou semelhantes que tenham conhecimento de que foi extraída sem autorização (exfiltração) informação sensível dos seus sistemas, mas que não o reportem às autoridades. As autoridades acreditam que vai haver um aumento dos casos de acesso ilegítimo a informação de determinados alvos. E não descartam a possibilidade de aumentarem os casos de anonimização da navegação e cifragem de dados o que, associado à insuficiente capacidade do Estado para os decifrar, pode afectar a “prevenção e a recolha de informação e de prova”.

Por outro lado, a Judiciária espera uma estabilização ou mesmo de decréscimo dos casos de venda de dados pessoais e “hacktivismo”.