Rússia responde e expulsa 60 diplomatas norte-americanos

Consulado norte-americano em São Petersburgo vai ser encerrado. Moscovo vai convocar reunião da Organização para a Proibição de Armas Químicas para discutir envenenamento de ex-espião.

Sergei Lavrov anunciou que irá cortar laçoes com 60 embaixadores norte-americanos
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Lavrov diz que a Rússia quer uma reunião da Organização para a Proibição de Armas Químicas LUSA/SERGEI CHIRIKOV

Tal como esperado, a Rússia anunciou esta quinta-feira um conjunto de medidas que visam responder à expulsão de diplomatas por vários países, na sequência do ataque com um agente neurotóxico a um ex-espião russo em solo britânico, que Londres atribui a Moscovo. 

Para já, foi anunciada a expulsão de 60 diplomatas norte-americanos e o encerramento de um consulado dos EUA em São Petersburgo, revelou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, em conferência de imprensa. O objectivo é responder à expulsão do mesmo número de diplomatas russos por Washington, anunciada esta semana, e ao encerramento do consulado russo em Seattle.

O Governo russo tinha dito que iria responder de forma simétrica às expulsões de diplomatas russos por vários países em solidariedade com o Reino Unido, que acusa Moscovo de ter orquestrado a tentativa de homicídio do ex-espião Sergei Skripal. O chefe da diplomacia russa disse agora que a resposta de Moscovo irá espelhar as decisões tomadas pelos países aliados de Londres e "até mais do que isso", sugerindo que o número de expulsões a serem anunciadas poderá ser mais elevado.

Ao todo, esta semana foram expulsos 150 diplomatas russos de 25 países, na sua maioria Estados-membros da União Europeia.

Lavrov apresentou as medidas depois de o embaixador norte-americano em Moscovo, John Huntsman, ter sido chamado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros para ser informado das expulsões. Os diplomatas — 58 em Moscovo e dois em Iecaterimburgo — terão de abandonar o país até 5 de Abril.

O ataque contra Skripal foi a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que o agente neurotóxico em causa, uma arma química produzida na Rússia, foi utilizado na Europa. O ex-espião continua internado em estado crítico, mas a filha, que estava com ele no momento do ataque e foi exposta ao agente Novichok, está a apresentar melhorias.

Skripal, de 66 anos, tinha sido condenado a 13 anos de prisão pela Rússia, em Agosto de 2006, por ter revelado a identidade de agentes secretos russos a operar na Europa ao serviço de agências secretas britânicas. Em 2010, foi perdoado pelo então Presidente, Dmitri Medvedev, e nesse mesmo ano o Reino Unido concedeu-lhe asilo.

Skripal foi um dos quatro prisioneiros que Moscovo libertou em troca da libertação de dez espiões então detidos nos EUA. Ele a filha foram atacados a 4 de Março e encontram-se ainda internados em estado grave.

Lavrov revelou ainda que a Rússia vai convocar uma reunião da Organização para a Proibição de Armas Químicas para a próxima segunda-feira com o objectivo de apreciar o envenenamento de Skripal. Uma rejeição deste encontro, disse Lavrov, será interpretada por Moscovo como uma "prova" de que as acusações contra a Rússia não passam de uma "provocação".

Os Estados Unidos já reagiram à decisão que consideram "injustificada" e dizem que a Rússia não tem o direito de "agir como vítima".