Câmara do Porto paga mais de 1,9 milhões de euros por reboques

Município quer abrir um novo concurso público para contratar uma empresa de reboques. Valor é para um período de três anos.

A estimativa é que sejam rebocadas 66 mil viaturas na cidade durante três anos
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A estimativa é que sejam rebocadas 66 mil viaturas na cidade durante três anos Manuel Roberto

A Câmara do Porto quer abrir um concurso público para contratar uma empresa que reboque as viaturas indevidamente estacionadas na cidade. O contrato, com duração de três anos, pode chegar quase aos dois milhões de euros – cerca do dobro do que custava ao município contratar uma empresa de reboques em 2010.

Em oito anos, o preço aumentou muito, mas o número de viaturas que o município espera ver rebocadas também – de menos de 40.800 veículos retirados das ruas na proposta de 2010, passa-se agora para a expectativa de ver rebocadas 66 mil viaturas indevidamente estacionadas nos limites da cidade nos próximos três anos. A proposta para a abertura do concurso público que irá determinar o vencedor deverá ser aprovada na reunião do executivo da próxima quarta-feira e o único critério que será considerado na escolha do futuro prestador de serviços é o preço mais baixo.

 Na reunião da próxima semana – agendada para quarta-feira por ter chegado a ser anunciada, para terça-feira, uma reunião extraordinária para discutir a questão da empresa municipal de Cultura, mas que foi, entretanto, cancelada – deverá também ser aprovada uma proposta para que seja aberto mais um período de candidaturas ao programa Porto Solidário – Fundo Municipal de Emergência Social. A câmara terá 1,1 milhões de euros para apoiar quem necessita de habitação, no âmbito das regras deste programa, estando este apoio “condicionado à aprovação do reforço da dotação orçamental”, lê-se na proposta a que o PÚBLICO teve acesso.

Da agenda da reunião o ponto que poderá, contudo, suscitar mais discussão, é o último da lista e que se refere à designação do representante do município no conselho de administração da Casa da Música. A escolha de Rui Moreira recaiu sobre o deputado municipal social-democrata Luís Osório, o que está a ser entendido nalguns sectores (incluindo dentro do PSD) como uma forma de o autarca independente garantir a maioria que neste momento não tem na Assembleia Municipal do Porto. Os críticos desta solução dizem que não encontram no currículo de Osório qualquer justificação para esta escolha de Moreira.

O curriculum vitae do deputado municipal que acompanha a proposta a ser votada na reunião do executivo indica que o social-democrata tem formação em gestão e direcção de empresas e uma pós-graduação em gestão de saúde. A única referência à área da cultura, no CV do antigo aluno do Colégio Alemão do Porto foi ter sido director-geral de uma empresa responsável pela organização de espectáculos de música, a Scoremusic. Segundo o documento, esta actividade terá sido desenvolvida entre Outubro de 2007 e Janeiro de 2012 e entre as funções subjacentes ao cargo estaria a “preparação de propostas em parceria com autarquias e empresas do sector”, a “preparação global de todos os eventos realizados, nomeadamente orçamentação, afectação de recursos físicos e humanos, e gestão integral dos mesmos”, bem como a “negociação internacional de projectos como exemplo ‘Rock in Rio’”.