Apple quer reacender interesse no iPad com versão para escolas

Nos EUA, os alunos vão ter um desconto no aparelho, que permite dissecar sapos virtuais e fazer os TPC em aplicações móveis.

Tim Cook subiu ao palco para falar do investimento da Apple na educação
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Na apresentação foi possível aprender o que é uma girafa reticulada Reuters/JOHN GRESS

A Apple apresentou aquilo que descreve como o seu “iPad mais económico e acessível”, num evento dedicado à educação, em Chicago, nos EUA. Pesa menos de 500 gramas e vem com uma câmara traseira de oito megapixeis e outra frontal para videoconferências, dez horas de vida útil, o leitor de impressões digitais Touch ID, e mais de 200 aplicações didácticas.

De acordo com a intervenção do presidente executivo da Apple, Tim Cook, os estudantes são o público-alvo do aparelho. Nos EUA, a Apple lançou uma campanha para vender o novo iPad a 299 dólares para escolas (cerca de 250 euros). Para os restantes consumidores norte-americanos, o preço do aparelho ronda os 329 dólares (na loja online da Apple, em Portugal, também já está disponível por 369 euros). "Os Macs e os iPads já são usados por estudantes para tudo desde a música, à linguagem, arte, e até robótica avançada", justificou Tim Cook, em palco.

É preciso mais 99 dólares, porém, para que o tablet se transforme num bloco de notas digital onde se pode escrever com a stylus da empresa, a Apple Pen, e usufruir de várias aplicações educativas. Só com a caneta digital, por exemplo, é que se consegue utilizar o programa de realidade aumentada Froggipedia, que permite aos estudantes dissecar um sapo virtual (o stylus transforma-se num bisturi). A Apple ressalva, porém, que outras empresas poderão desenvolver canetas mais baratas que funcionem com o aparelho. A Logitech já está a criar um “lápis de cera digital”, cujo preço irá rondar os 49 dólares.

De acordo com dados de 2018 da analista IDC, o mercado dos tablets tradicionais (que não se conectam a um teclado) gera menos interesse de ano para ano. Em 2017, a procura caiu 7,6% em relação ao ano anterior, embora a Apple continue a assumir-se como líder neste mercado.

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Uma das aplicações apresentadas em palco permite dissecar um sapo virtual Apple

“A criatividade desperta um nível de interesse mais intenso nos estudantes, e nós estamos entusiasmados por ajudar os professores a desenvolver essa criatividade em salas de aula”, diz o vice-presidente de marketing global da Apple, Philip Schiller, em comunicado. Outra das aplicações mais destacadas em palco foi a Schoolwork (inglês para “trabalho da escola”) que permite aos professores definirem trabalhos de casa e actividades para realizar em aplicações específicas. 

O novo iPad e a panóplia de novidades associadas apresentam-se como resposta da empresa ao Chromebook do Google, os portáteis de baixo custo do Google que se tornaram a norma nas escolas norte-americanas. Uma das grandes vantagens do Google em relação à Apple é que, até agora, o valor dos seus portáteis (entre 250 dólares e 300 dólares) era mais económico que a versão do iPad para escolas, que podia a chegar a 800 dólares por unidade com todo o material educativo complementar incluído.

Em palco, a Apple também anunciou que vai dar a estudantes e professores 200 GB de armazenamento grátis na iCould (o serviço da Apple que permite armazenar documentos e ficheiros em servidores da empresa) em vez dos 5 GB a que qualquer utilizador tem acesso.