NATO expulsa sete diplomatas russos

Aliança Atlântica anunciou também que vai cortar a missão da Rússia de 30 para 20 elementos.

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Jens Stoltenberg, secretário-geral da NATO LUSA/OLIVIER HOSLET

A NATO anunciou esta terça-feira a expulsão de sete diplomatas russos na sequência do ataque contra o antigo espião Sergei Skripal no Reino Unido. “Enviamos uma mensagem muito clara à Rússia de que há custos”, disse o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, em conferência de imprensa.

Para além da expulsão de sete diplomatas russos, a NATO anunciou também que vai cortar a missão da Rússia de 30 elementos para apenas 20. A Rússia não faz parte da NATO, mas tem relações com a aliança atlântica desde 1991, e nos últimos 24 anos as duas partes assinaram vários acordos de parceria.

No entanto, as relações entre a NATO e Moscovo têm vindo a deteriorar-se nos últimos anos. Os acordos foram suspensos ou seriamente afectados a partir de 2014, na sequência da anexação da península ucraniana da Crimeia pela Rússia.

A mais recente decisão da NATO acompanha uma série de países que anunciaram a expulsão de diplomatas da Rússia na sequência da tentativa de assassínio do antigo espião Sergei Skripal, no Reino Unido. Portugal está de fora da lista, que continua a crescer. Esta terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros informou que a decisão portuguesa sobre o caso está “em curso” e rege-se pela defesa dos interesses “nacional, europeu e da Aliança Atlântica”, mas também pela “autonomia, prudência e firmeza”.

Santos Silva argumenta que Portugal quer manter a sua “característica capacidade de procurar nunca quebrar pontes, de manter sempre uma ligação, porque é nessa lógica multilateral em que mais se revê, na procura de ir enfrentando os problemas e as ameaças e ir convencendo os interlocutores que uma ordem internacional baseada em regras e conforme ao direito internacional e o cumprimento do direito é a melhor garantia de paz e de segurança no mundo de hoje”.

Ainda esta segunda-feira, e em resposta à "expulsão sem precedentes", a primeira-ministra britânica congratulou-se com a solidariedade dos aliados.

O antigo agente duplo russo Serguei Skripal e a filha, Iulia, continuam internados em estado grave. Na passada semana soube-se que o agente neurotóxico de classe militar russo utilizado poderá ter provocado danos irreversíveis na capacidade mental de ambos.

Sergei Skripal, de 66 anos, tinha sido condenado a 13 anos de prisão pela Rússia, em Agosto de 2006, por ter revelado a identidade de agentes secretos russos a operar na Europa ao serviço de agências secretas britânicas. Em 2010, foi perdoado pelo então Presidente, Dmitri Medvedev, e nesse mesmo ano o Reino Unido concedeu-lhe asilo. Skripal foi um dos quatro prisioneiros que Moscovo libertou em troca da libertação de dez espiões então detidos nos EUA.