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Procuram-se jovens diagnosticadas com cancro para estudar preocupações com fertilidade

Uma das perguntas colocadas por algumas mulheres mais jovens quando confrontadas com um diagnóstico de cancro é: "E agora? Não vou poder engravidar?". Cintesis quer desenvolver programas de apoio psicológico para ajudar

Um grupo de investigadoras do Cintesis - Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde e da Universidade de Aveiro procura jovens mulheres que tenham vencido ou estejam a lutar contra um cancro para responderem a um inquérito online.

O objectivo é avaliar as preocupações reprodutivas e outros aspectos psicológicos e sociais em jovens com cancro, para desenvolver programas de apoio psicológico destinados às necessidades dessas mulheres, que lidam com problemas de fertilidade. "As consequências do cancro e dos tratamentos oncológicos na capacidade reprodutiva das mulheres em idade fértil tornam-se num factor de stress adicional no decurso da doença e constituem uma ameaça aos planos de maternidade das jovens, para além de poderem interferir nas suas relações conjugais", disse a investigadora Ana Bártolo.

Segundo explicou, uma das perguntas colocadas por algumas mulheres mais jovens quando são confrontadas com um diagnóstico de cancro da mama ou ginecológico é: "E agora? Não vou poder engravidar?". De acordo com os investigadores, "numa sociedade em que o papel da mulher como mãe é relevante e faz parte dos planos da maioria das mulheres, a ameaça à possibilidade de engravidar e de ter uma família tradicional constitui um foco de pressão acrescido, podendo ter implicações ao nível da saúde mental das sobreviventes oncológicas, nomeadamente no que se refere ao desenvolvimento de quadros de ansiedade e de depressão".

"Com este estudo, pretendemos aferir junto deste grupo quais os aspectos psicológicos e sociais em que podemos intervir de forma mais atenta, sem perder de vista uma abordagem holística, com o objectivo de minorar o sofrimento e potenciar a reorganização dos seus projectos de vida que incluem, tantas vezes, a maternidade", salientou Ana Bártolo, especialista em psicologia. Embora seja mais prevalente entre os grupos etários mais velhos, há tipos de cancro com níveis de incidência assinaláveis que afectam as mulheres entre os 15 e os 39 anos. Para além de Ana Bártolo, a equipa é composta pelas investigadoras do Cintesis e professoras da Universidade de Aveiro Sara Monteiro e Isabel Santos. O questionário online está disponível aqui