Espanha detém hacker responsável por roubo de mil milhões de euros

Ucraniano controlava rede activa em mais de 40 países que terá extraído dinheiro de mais de 100 bancos.

Momento em que um dos membros da quadrilha recolhe o dinheiro da caixa automática
Foto
Momento em que um dos membros da quadrilha recolhe o dinheiro da caixa automática DR

Um pirata informático presumivelmente responsável por ataques a mais de 100 instituições financeiras em todo o mundo foi detido pelas autoridades espanholas em Alicante. Denis K., de 34 anos e nacionalidade ucraniana, estava a viver em Espanha desde 2014 com a mulher e filha. Foi detido a 6 de Março, segundo conta o El País, mas a operação policial só foi anunciada esta segunda-feira pelo ministro do Interior, Juan Ignacio Zoido. Com Denis K. foram ainda detidos outros três suspeitos — dois ucranianos e um russo. 

O responsável pelos programas maliciosos Carbanak e Cobalt é tido como um dos maiores cérebros do crime informático e um dos mais bem-sucedidos hackers de sempre. A sua identificação e detenção são o culminar de uma complexa investigação de três anos, que foi conduzida pela Polícia Nacional Espanhola, com o apoio da Europol, do FBI, de empresas privadas de cibersegurança e das autoridades romenas, bielorrussas e taiwanesas.

Denis K., licenciado em Informática, era o líder de uma quadrilha com membros em mais de 40 países. O seu esquema passava por infectar sistemas informáticos de bancos através dos endereços de e-mail dos funcionários, assumindo posteriormente o controlo de toda a rede da instituição e dos respectivos servidores.

Uma vez garantido o controlo, ordenavam transferências bancárias, aumentavam artificialmente os saldos de contas em sua posse e realizavam levantamentos em dinheiro vivo através de caixas automáticas igualmente comprometidas — estes levantamentos eram feitos por "mulas" (assim designadas pelas autoridades espanholas) de nacionalidade moldava.

Cada processo podia demorar entre dois e quatro meses. No total, terão sido roubados mil milhões de euros.

O produto dos roubos — que chegou a atingir 10 milhões de euros por operação — foi em parte lavado através de plataformas financeiras sediadas em Gibraltar e no Reino Unido, onde a rede carregava cartões de crédito pré-pagos com bitcoins (uma operação de mineração da moeda virtual em larga escala também era utilizada pelo grupo para justificar os valores). Os cartões eram depois utilizados em Espanha, onde eram comprados bem de luxo. Durante a operação policial deste mês, a polícia apreendeu 500.000 euros em jóias, automóveis de luxo, e arrestou duas habitações avaliadas em um milhão de euros. 

Apesar dos valores em causa, a imprensa espanhola afirma que Denis K. vivia de forma modesta, afastando qualquer atenção ou suspeita. O responsável pela rede criminosa comparava-se a Robin Hood, argumentando que não rouba pessoas, mas apenas “os maus da fita”, as instituições bancárias.